Ganhar o Mundial rende muito mais do que um troféu: Espanha pode encaixar milhares de milhões

Triunfo por 1-0, decidido por um golo de Ferran Torres aos 106 minutos da final de domingo, garantiu à seleção espanhola o segundo título mundial da sua história, 16 anos depois da conquista na África do Sul

Francisco Laranjeira

A conquista do Campeonato do Mundo de futebol pode valer muito mais do que a glória desportiva. Além do prémio recorde de 50 milhões de dólares (43,7 milhões de euros) atribuído pela FIFA, especialistas estimam que a vitória de Espanha sobre a Argentina poderá dar um impulso de cerca de 4 mil milhões de euros à economia espanhola nos próximos meses. A análise foi divulgada pela ‘Euronews’, com base em estudos económicos e dados da FIFA.

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O triunfo por 1-0, decidido por um golo de Ferran Torres aos 106 minutos da final de domingo, garantiu à seleção espanhola o segundo título mundial da sua história, 16 anos depois da conquista na África do Sul.

O cheque da FIFA é apenas o começo

A Federação Internacional de Futebol atribui ao campeão um prémio recorde de 50 milhões de dólares, acima dos 42 milhões pagos à Argentina após o Mundial de 2022.

Esse valor faz parte de um fundo total de prémios de 655 milhões de dólares distribuído pelas 48 seleções participantes.

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Cabe agora à Federação Espanhola decidir quanto será repartido entre jogadores, equipa técnica e restante estrutura, sendo o remanescente destinado ao funcionamento da instituição e a programas de desenvolvimento do futebol.

Além disso, o Estado espanhol também arrecadará receitas fiscais. Segundo as estimativas citadas pela ‘Euronews’, cerca de 6 milhões de euros deverão entrar nos cofres públicos através dos impostos pagos pelos jogadores residentes em Espanha.

O verdadeiro prémio pode chegar aos 4 mil milhões

Mas o impacto mais significativo poderá surgir fora dos relvados.

Um estudo publicado em 2024 pelo economista Marco Mello, da Universidade de Aberdeen, concluiu que vencer um Campeonato do Mundo pode aumentar em pelo menos 0,48% o crescimento anual do PIB do país campeão durante os dois trimestres seguintes à final.

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Aplicada à economia espanhola, atualmente avaliada em cerca de 1,69 biliões de euros, essa percentagem representa aproximadamente 4 mil milhões de euros de atividade económica adicional.

Segundo Pedro Santa Cruz, diretor da Freedom24 Iberia, o efeito não resulta apenas da euforia ou das celebrações, mas sobretudo do aumento das exportações.

O título mundial funciona como uma poderosa campanha de promoção internacional, reforçando a imagem do país e aumentando a procura pelos seus produtos e serviços nos mercados externos.

Nem tudo o que parece é crescimento

Durante o Mundial, os bares e restaurantes espanhóis registaram um aumento significativo da faturação.

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Segundo dados da plataforma de pagamentos Square, as transações cresceram 36% durante os jogos da fase de grupos da seleção espanhola, chegando a atingir picos de 66% em Sevilha.

Ainda assim, os economistas alertam que este fenómeno nem sempre representa riqueza nova. Em muitos casos, trata-se apenas de consumo que é transferido de outros setores da economia.

Também as celebrações da conquista, que reuniram mais de um milhão de pessoas nas ruas de Madrid, deverão produzir um efeito semelhante: um aumento temporário da atividade económica, mas sem impacto estrutural.

A história aconselha prudência

Apesar das previsões otimistas, os especialistas lembram que o futebol não resolve os problemas económicos de um país.

A própria Espanha oferece um exemplo claro. Em 2010, quando conquistou o seu primeiro Mundial, o país enfrentava uma grave crise económica, com o desemprego próximo dos 20% e um sistema bancário que acabaria por necessitar de um resgate financeiro.

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O troféu elevou o moral dos espanhóis, mas não alterou o rumo da economia.

O estudo de Marco Mello chega à mesma conclusão: embora vencer o Mundial possa gerar um impulso económico temporário, não existem provas de que produza efeitos duradouros no crescimento de um país.

Ganhar um Campeonato do Mundo continua, assim, a ser excelente para a imagem internacional e para a confiança dos consumidores. Mas, passada a festa, a economia volta inevitavelmente a depender dos mesmos fatores que sempre a fizeram crescer — ou abrandar.

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