Houthis abrem uma nova frente na guerra e ameaçam bloquear o petróleo saudita

Decisão representa uma nova escalada na guerra entre o Irão e os Estados Unidos e surge numa altura em que Teerão e Washington continuam, discretamente, a explorar vias diplomáticas

Francisco Laranjeira

Os rebeldes houthis do Iémen anunciaram esta segunda-feira um bloqueio naval à Arábia Saudita, numa decisão que ameaça alargar o conflito no Médio Oriente, colocando em risco o fornecimento mundial de petróleo e importantes rotas do comércio internacional.

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A decisão representa uma nova escalada na guerra entre o Irão e os Estados Unidos e surge numa altura em que Teerão e Washington continuam, discretamente, a explorar vias diplomáticas para travar a crescente espiral de confrontos militares.

Na declaração divulgada esta segunda-feira, os houthis afirmam que o bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita entra em vigor “com efeito imediato”, justificando a medida como uma resposta ao que classificam como um “cerco injusto e opressivo” imposto ao Iémen por Riade.

Petróleo e comércio sob ameaça

O bloqueio poderá ter consequências muito para além da região. Segundo analistas citados pela ‘Reuters’, o Irão tem vindo a pressionar os houthis para encerrarem o estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais portas de entrada para o Mar Vermelho e uma rota essencial para o transporte marítimo internacional.

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Caso o estreito seja efetivamente fechado, cerca de 7% do abastecimento mundial de petróleo poderá ser afetado, uma vez que grande parte das exportações sauditas deixa de conseguir sair da região. O impacto somar-se-ia às perturbações já provocadas pelo conflito no Golfo, que reduziu significativamente o fluxo global de crude.

Os preços do petróleo reagiram de imediato ao anúncio, registando uma subida temporária, antes de voltarem a recuar perante a expectativa de um possível avanço diplomático.

Teerão admite contactos para um cessar-fogo

Apesar da nova escalada militar, os contactos diplomáticos continuam.

Um alto responsável iraniano revelou à Reuters que Teerão recebeu uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de dez dias, destinado a preservar o acordo provisório alcançado no mês passado e abrir caminho a negociações mais duradouras.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano confirmou que recebeu propostas de mediação, embora sem revelar detalhes.

Em paralelo, segundo duas fontes governamentais paquistanesas, o ministro do Interior iraniano deslocou-se novamente a Islamabad para pedir ao Paquistão que retomasse o papel de mediador entre o Irão e os Estados Unidos.

Ataques continuam de ambos os lados

Enquanto decorrem os esforços diplomáticos, a atividade militar mantém-se intensa.

Os Estados Unidos voltaram a atacar várias cidades iranianas durante a noite, justificando a operação com a necessidade de reduzir a capacidade de Teerão para ameaçar a navegação comercial.

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Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária anunciou ataques com mísseis balísticos contra posições militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Síria, além de alegar ter atingido aeronaves norte-americanas estacionadas no aeroporto de Aqaba.

Também foram registados novos incidentes marítimos. Segundo a Guarda Revolucionária, dois petroleiros sofreram explosões quando atravessavam o estreito de Bab el-Mandeb por uma rota considerada “insegura”. A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente esta informação.

Ao largo de Omã, uma embarcação foi atingida por um projétil de origem desconhecida, permanecendo à deriva, embora toda a tripulação tenha sido retirada em segurança.

Infraestruturas civis voltam a ser atingidas

No Kuwait, o Governo denunciou um segundo ataque consecutivo contra uma central de dessalinização, que provocou um incêndio numa infraestrutura considerada essencial para o abastecimento de água potável.

As centrais de dessalinização são vitais para os países do Golfo, onde abastecem dezenas de milhões de pessoas.

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Teerão já tinha avisado que poderia retaliar contra este tipo de instalações depois de acusar os Estados Unidos de atacarem uma central semelhante em território iraniano — uma alegação que Washington nunca confirmou.

Apesar da intensificação dos combates, nenhuma das partes fecha totalmente a porta à diplomacia.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, garantiu que Washington continuará a responder enquanto o Irão ameaçar a navegação internacional, mas reiterou que os Estados Unidos permanecem disponíveis para uma solução negociada.

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano confirmou que o canal diplomático continua aberto, admitindo que mediadores internacionais têm apresentado propostas para tentar travar o conflito.

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