Falar de sustentabilidade no Grupo Nabeiro – Delta Cafés é falar de um compromisso que nasceu muito antes de a sigla ESG fazer parte do vocabulário empresarial. Herdada da visão humanista e empreendedora do comendador Rui Nabeiro, a preocupação com as pessoas, a comunidade e o futuro continua a marcar a estratégia do Grupo.
Hoje, e como reflecte Rita Nabeiro, administradora executiva do Grupo Nabeiro – Delta Cafés, essa herança traduz-se numa abordagem ESG estruturada, integrada na gestão do negócio e onde a inovação vai além da tecnologia, passando também pela criação de novos modelos de negócio, parcerias e soluções circulares.
Para a empresa, a sustentabilidade deixou de ser um conjunto de iniciativas isoladas para passar a fazer parte das decisões estratégicas, da gestão do risco e da competitividade do negócio, assumindo um papel determinante num sector particularmente exposto aos efeitos das alterações climáticas e às crescentes exigências regulatórias.
ESG integrado na estratégia do negócio
Na Delta Cafés, a sustentabilidade faz parte da gestão quotidiana e é acompanhada através de indicadores concretos que permitem medir a evolução da empresa e apoiar a tomada de decisão. A monitorização da pegada de carbono, da eficiência energética, da valorização de resíduos, da incorporação de energia renovável ou da renovação da frota permite transformar compromissos em resultados mensuráveis.
Actualmente, 60% da energia consumida pelo Grupo tem origem em fontes renováveis, 22% da frota é 100% eléctrica e 99% dos resíduos directos da operação são reciclados ou valorizados. Como explica Rita Nabeiro, «as distinções obtidas pelo Grupo Nabeiro [como o facto de o Grupo ter sido distinguido pelo Merco como a empresa mais responsável em ESG em Portugal pelo quinto ano consecutivo] reflectem o trabalho desenvolvido na integração dos critérios ESG na gestão do negócio. Mais do que um objectivo em si, estes reconhecimentos funcionam como uma validação externa da consistência do trabalho desenvolvido e dos resultados alcançados».
A responsável sublinha, ainda, que «aquilo que não se mede, não se gere. Foi por isso que, nos últimos anos, reforçámos os mecanismos de medição e monitorização do nosso desempenho ESG, incorporando indicadores nos processos de gestão e tomada de decisão».
Esta visão reflecte-se também na estrutura de governance da organização. O Grupo dispõe de uma Direcção de Sustentabilidade e Propósito, responsável por áreas como descarbonização, economia circular, inovação verde, literacia ESG e responsabilidade social, complementada por uma Comissão de Ética e Compliance e por um Código de Ética e de Conduta.
«Os critérios ESG entram cada vez mais nas decisões estratégicas porque têm impacto directo na competitividade, na reputação, no acesso a mercados, na relação com clientes e consumidores, na gestão de risco e na resiliência da cadeia de valor», reforça Rita Nabeiro.
Uma cadeia de valor mais resiliente
O sector do café encontra-se entre os mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. O aumento das temperaturas, a irregularidade das chuvas, os fenómenos meteorológicos extremos e a maior incidência de pragas estão já a afectar a produtividade e a qualidade das colheitas em várias regiões produtoras.
Perante este cenário, a Delta Cafés tem vindo a reforçar a resiliência da sua cadeia de abastecimento, trabalhando em proximidade com produtores, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis, diversificando origens e investindo na monitorização e gestão de risco.
«Para a Delta Cafés, estes desafios reforçam a necessidade de encarar a sustentabilidade como um tema estratégico de competitividade e de gestão de risco. Mais do que responder a requisitos regulatórios, trata-se de preparar o negócio para o futuro, reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento, apoiar os produtores na adaptação a novas exigências e responder às expectativas crescentes dos consumidores, clientes, colaboradores e parceiros», complementa.
Nesse contexto, a empresa integra, desde 2018, o International Coffee Partners, uma iniciativa presente em 13 países que apoia mais de 92 mil famílias produtoras através de formação técnica, melhoria das práticas agrícolas, aumento da produtividade, reforço da resiliência climática, inclusão das mulheres e envolvimento dos jovens.
Em paralelo, desenvolve o projecto Impossible Coffees, dedicado à valorização de pequenos produtores e de cafés raros provenientes de geografias como Açores, São Tomé e Príncipe, Angola, Colômbia ou Tailândia.
«O futuro do café depende das pessoas que o produzem», assegura Rita Nabeiro, acrescentando que «mais do que lançar edições limitadas, o objectivo é valorizar comunidades produtoras, apoiar tecnicamente a melhoria da qualidade e contribuir para que estas origens possam gerar mais rendimento e reconhecimento».
Economia circular e inovação
A inovação na Delta Cafés é um dos grandes pilares da organização e vai muito além do desenvolvimento de novos produtos. É encarada como uma ferramenta para reduzir o impacto ambiental, optimizar recursos e criar novos modelos de negócio assentes na economia circular.
Nesse sentido, a empresa trabalha na recuperação de materiais como a cascarilha, a sarapilheira das sacas de café verde ou os plásticos das cápsulas. Um dos exemplos mais emblemáticos é a parceria com a startup Nãm, que transforma borras de café recolhidas nas máquinas de vending myBreak Delta Cafés em cogumelos. Todos os anos, cerca de 60 toneladas de borras dão origem a aproximadamente 40 toneladas de cogumelos, num modelo de produção local e circular. «É um exemplo de como a inovação e as parcerias podem transformar resíduos em novos recursos, promovendo modelos de produção mais circulares», refere a administradora executiva do Grupo Nabeiro – Delta Cafés.
Também a digitalização desempenha um papel crescente na eficiência ambiental da empresa, permitindo monitorizar consumos de energia, água e matérias-primas, optimizar rotas logísticas e desenvolver soluções de eco-design para embalagens e equipamentos.
Entre os projectos desenvolvidos destaca-se, ainda, o Reborn, da Delta Q, que já permitiu colocar no mercado mais de seis mil máquinas de café recondicionadas, prolongando o ciclo de vida dos equipamentos e reduzindo a necessidade de produzir novas máquinas.
«A inovação é indispensável para reduzir impacto ambiental e aumentar a eficiência operacional. Permite-nos redesenhar processos, testar novos materiais, melhorar equipamentos, optimizar consumos e identificar oportunidades de redução de emissões ao longo da cadeia de valor», explica.
Pessoas no centro da estratégia ESG
Apesar da crescente internacionalização, a dimensão humana continua a ser um dos traços distintivos da cultura do Grupo Nabeiro. A empresa procura garantir que o crescimento não compromete os valores de proximidade que marcaram a sua origem em Campo Maior. «A nossa internacionalização é uma prioridade estratégica, com a ambição de afirmar a Delta entre as principais marcas de café a nível mundial», começa por destacar, adiantando que pretendem fazê-lo mantendo aquilo que os distingue: «Uma cultura empresarial assente na proximidade, na responsabilidade e na construção de relações de longo prazo».
Esta preocupação traduz-se em programas internos, como o Delta Feel Good, dedicado à promoção da saúde física e mental, do equilíbrio entre vida pessoal e profissional e da adopção de estilos de vida saudáveis, bem como em iniciativas de literacia ESG dirigidas aos colaboradores.
Através da Associação Coração Delta, o Grupo desenvolve também projectos nas áreas da educação, saúde, solidariedade e inovação social. Nos últimos 20 anos, a Associação impactou mais de 54 mil pessoas, contando entre os seus projectos mais emblemáticos o Centro de Talentos Alice Nabeiro, que já apoiou mais de 900 crianças, promovendo criatividade, desenvolvimento pessoal, competências sociais e espírito empreendedor.
Para Rita Nabeiro, a liderança em sustentabilidade passa igualmente pela capacidade de gerar impacto positivo para além da própria organização. «Queremos continuar a liderar pelo exemplo, com humildade, consistência e ambição», revela a profissional, deixando uma nota sobre o futuro do Grupo: «A nossa ambição de crescimento global tem de caminhar lado a lado com o compromisso ESG, porque acreditamos que a competitividade futura das empresas dependerá cada vez mais da sua capacidade de criar valor económico, social e ambiental».
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 244 de Julho de 2026














