O verão traz passeios mais longos, idas à praia e viagens em família, mas também riscos acrescidos para os animais de companhia. O calor intenso, o pavimento escaldante, os parasitas e até a água do mar podem transformar um dia aparentemente inofensivo numa urgência veterinária.
A questão tem particular relevância em Portugal, onde existem cerca de 2,8 milhões de cães e 1,9 milhões de gatos, segundo os dados europeus mais recentes divulgados pela FEDIAF. No total, contando também aves, peixes, pequenos mamíferos e répteis, o número de animais de companhia no país ultrapassa os cinco milhões.
Entre os cuidados recomendados pelo ‘El Economista’ destaca-se um teste muito simples: colocar o dorso da mão sobre o asfalto durante cinco a sete segundos. Quando o calor não é tolerável para a mão, o pavimento também está demasiado quente para as almofadas das patas do cão, que podem sofrer queimaduras sem que o tutor se aperceba imediatamente.
A melhor forma de reduzir o risco passa por concentrar os passeios no início da manhã ou ao final do dia, evitando as horas de maior calor. Deve existir sempre água fresca disponível, renovada várias vezes ao longo do dia, e, durante passeios ou viagens, é aconselhável transportá-la num recipiente portátil e oferecê-la regularmente em pequenas quantidades.
Há ainda uma regra que não admite exceções: um animal nunca deve ficar fechado dentro de um automóvel, mesmo que o veículo esteja estacionado à sombra ou tenha as janelas entreabertas. A temperatura no habitáculo pode subir rapidamente e atingir valores perigosos em poucos minutos.
O verão também aumenta a exposição a pulgas, carraças e insetos transmissores de doenças. Em Portugal, esta prevenção é especialmente importante porque a leishmaniose canina é endémica e pode ser transmitida pela picada de flebótomos, pequenos insetos semelhantes a mosquitos, segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária. Os tratamentos antiparasitários devem, por isso, manter-se atualizados de acordo com a indicação do médico veterinário.
Na praia, os animais não devem beber água do mar, que pode provocar vómitos, diarreia, desidratação e, em quantidades elevadas, intoxicação por sal. A ingestão de muita areia também pode causar problemas gastrointestinais ou mesmo uma obstrução intestinal. Depois dos banhos, o ‘El Economista’ recomenda passar o pelo por água doce, secar cuidadosamente as orelhas e verificar se ficaram presas espigas ou praganas.
Animais com pouco pelo ou pele clara podem ainda precisar de protetor solar próprio para uso veterinário, sobretudo no focinho, nas orelhas e na barriga. Não devem ser utilizados produtos destinados a pessoas sem aconselhamento profissional, uma vez que alguns ingredientes podem ser prejudiciais quando ingeridos ao lamber a pele.
Respiração muito acelerada, salivação excessiva, gengivas intensamente vermelhas ou azuladas, vómitos, desorientação, dificuldade em caminhar ou perda de consciência podem ser sinais de um golpe de calor. Perante estes sintomas, o animal deve ser retirado do calor, arrefecido gradualmente — sem gelo nem água excessivamente fria — e levado de imediato a um serviço de urgência veterinária.














