“As empresas enriquecem, nós derretemos”: estátuas de gelo expõem trabalhadores ao calor extremo em Roma

As esculturas representavam um agricultor, um ciclista e um operário da construção civil. Segundo a ‘Euronews’, o protesto foi organizado pela Greenpeace Itália e pela central sindical CGIL, esta quarta-feira

Francisco Laranjeira

Três figuras humanas feitas de gelo começaram a derreter junto ao Coliseu, em Roma, numa ação destinada a mostrar o impacto das ondas de calor sobre quem trabalha ao ar livre.

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As esculturas representavam um agricultor, um ciclista e um operário da construção civil. Segundo a ‘Euronews’, o protesto foi organizado pela Greenpeace Itália e pela central sindical CGIL, esta quarta-feira.

Ao lado das figuras, os ativistas exibiam cartazes com a mensagem: “As empresas de combustíveis fósseis enriquecem, nós derretemos”.

A iniciativa procurou chamar a atenção para os riscos enfrentados por milhares de trabalhadores expostos durante várias horas a temperaturas extremas, sobretudo nos setores da agricultura, construção e entregas.

Simona Abbate, da Greenpeace Itália, defendeu o abandono progressivo dos combustíveis fósseis e uma tributação mais elevada sobre as empresas de petróleo e gás.

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A ativista considera que essa receita deve ser utilizada para financiar medidas de adaptação às alterações climáticas e reforçar a proteção das populações e dos trabalhadores mais vulneráveis.

Natale Di Cola, representante da CGIL, afirmou que as ondas de calor não estão apenas a prejudicar o planeta, mas também a destruir empregos e a degradar as condições de trabalho.

De acordo com a ‘Euronews’, a manifestação decorreu depois de várias semanas de temperaturas elevadas em diferentes países europeus, num verão marcado por sucessivas ondas de calor desde o final de maio.

Em junho, quando os termómetros se aproximaram dos 40 graus, Roma instalou canhões de água e sistemas de nebulização junto ao Coliseu para ajudar turistas e trabalhadores a suportar o calor.

A Europa está a aquecer a um ritmo próximo do dobro da média mundial, segundo o Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas.

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Para os organizadores, as esculturas a desaparecer lentamente ao sol pretendiam transformar esse fenómeno numa imagem direta: enquanto a temperatura sobe, quem trabalha no exterior é dos primeiros a sentir os efeitos.

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