Nas viagens de verão, a bagageira transforma-se muitas vezes num exercício de engenharia: malas, sacos, geleiras, chapéus de sol e até pequenos eletrodomésticos são empilhados até ao último centímetro disponível. Há, porém, um gesto simples que muitos condutores desconhecem e que pode reforçar a segurança em caso de acidente: apertar os cintos dos bancos traseiros, mesmo quando ninguém viaja nesses lugares.
A recomendação foi recuperada pela Direção-Geral de Trânsito espanhola e dirige-se sobretudo a quem circula com a bagageira muito carregada. Segundo o ‘El País’, o objetivo não é proteger passageiros inexistentes, mas ajudar a manter os encostos traseiros na posição em caso de colisão ou travagem brusca.
Quando um automóvel sofre uma desaceleração violenta, tudo o que não está devidamente preso tende a continuar em movimento. Uma mala com vários quilos, uma caixa ou uma geleira podem ser projetadas para a frente com uma força muito superior ao peso que apresentam quando estão paradas.
Se a pressão sobre os encostos traseiros for suficientemente elevada, a carga pode fazê-los ceder ou deslocar-se, entrando no habitáculo e atingindo os ocupantes da frente. O risco aumenta nas viagens de férias, quando a bagageira costuma circular perto da capacidade máxima.
É neste ponto que entram os cintos de segurança. Quando estão apertados sobre os bancos traseiros vazios, funcionam como um reforço adicional dos encostos, ajudando a suportar a pressão exercida pela bagagem.
A medida não substitui uma arrumação correta, nem transforma os cintos numa barreira infalível. Cria, contudo, uma camada adicional de proteção entre a carga e os passageiros dos bancos dianteiros.
O ‘El País’ recorda que os mesmos princípios físicos aplicados às pessoas sem cinto também se aplicam aos objetos transportados no veículo. Durante uma colisão, uma mala de 15 quilos pode atingir os encostos com uma força equivalente a várias centenas de quilos, dependendo da velocidade e da intensidade da desaceleração.
A autoridade espanhola utiliza frequentemente a expressão “efeito elefante” para ilustrar este fenómeno. Uma pessoa de 75 quilos que viaje sem cinto pode ser projetada contra o banco da frente com uma força equivalente a várias toneladas, mesmo num acidente a velocidade moderada.
O princípio é semelhante para qualquer objeto solto. Quanto maior for o peso e a velocidade do automóvel, maior será a energia libertada no impacto.
A primeira precaução deve, por isso, ser a distribuição correta da carga. Os objetos mais pesados devem ficar na parte inferior da bagageira e o mais encostados possível aos bancos traseiros.
A bagagem deve também ser distribuída de forma equilibrada, evitando concentrações excessivas de peso num dos lados. Esta organização reduz o risco de deslocamento dos objetos e ajuda a preservar a estabilidade do automóvel.
Dentro do habitáculo, não devem ficar malas, garrafas, computadores ou outros objetos soltos. Mesmo itens aparentemente leves podem provocar ferimentos se forem projetados durante uma travagem de emergência.
Quando o veículo dispõe de redes, cintas de fixação ou pontos de amarração, estes devem ser utilizados. Em carrinhas ou SUV com a bagageira aberta para o habitáculo, uma rede de separação pode acrescentar uma proteção importante.
Apertar os cintos traseiros demora apenas alguns segundos, não implica qualquer custo e pode ser feito antes de iniciar a viagem. É um gesto discreto, mas particularmente útil quando os bancos estão vazios e a bagageira segue cheia.
No verão, quando milhões de famílias percorrem longas distâncias com o automóvel carregado, esta pequena precaução pode fazer a diferença entre a bagagem permanecer no lugar ou transformar-se num conjunto de projéteis dentro do carro.














