Justiça eleitoral no Brasil quer selo de exatidão para empresas de sondagens de voto

Brasília 15 jul 2026 (Lusa) — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro anunciou na terça-feira a intenção de criar um selo de precisão eleitoral para premiar os institutos de sondagens de intenção de voto que mais acertarem os resultados das eleições.

Executive Digest com Lusa

Brasília 15 jul 2026 (Lusa) — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro anunciou na terça-feira a intenção de criar um selo de precisão eleitoral para premiar os institutos de sondagens de intenção de voto que mais acertarem os resultados das eleições.

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A proposta foi apresentada pelo presidente do TSE, juiz Kássio Nunes Marques, numa reunião com representantes de 16 empresas de sondagens de intenção de voto no país, que reagiram negativamente à iniciativa.


“É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia”, afirmou.


Nunes Marques adiantou que o nome provisório da distinção é “Selo Acurácia Eleitoral” e que a iniciativa é destinada “ao reconhecimento das entidades cujas estimativas apresentem o maior grau de aderência aos resultados oficiais das eleições”.


“Trata-se de um mecanismo que visa a valorização das boas práticas, e o permanente aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais por meio de reconhecimento das empresas que apresentaram acurácia (precisão) nos resultados”, completou.

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Segundo a minuta, obtida pela Lusa, as distinções excluem institutos condenados por fraude e que não adotem requisitos técnicos.  


O presidente do TSE suspendeu em junho a divulgação do resultado de uma sondagem de intenção de voto, por suspeita de condicionamento dos eleitores. A sondagem incluía perguntas relacionando com o senador e pré-candidato a Presidente Flávio Bolsonaro e alguns casos públicos.


A proposta do TSE de criar um selo foi alvo de críticas de várias empresas do segmento.


Em nota enviada à Lusa, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), afirmou que a proposta de se criar um selo “parte de uma premissa equivocada” e que as “pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas”, não são “previsões nem promessas de resultado”.


A Abep diz ainda que exigir que uma sondagem de intenção de voto “acerte o resultado é confundir ciência com bola de cristal”.

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A nota da entidade destaca ainda que a medida pode estimular institutos a ajustar números para acompanhar o consenso, em vez de realizar sondagens rigorosas.


A Abep defende que a qualidade das pesquisas seja avaliada pela metodologia, transparência e boas práticas científicas.


“Causa especial preocupação que a Justiça Eleitoral pretenda assumir o papel de árbitro da qualidade das pesquisas a partir de um critério tecnicamente equivocado”, informou a entidade.

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