O Supremo Tribunal dos Estados Unidos prepara-se para ouvir na terça-feira, 12 de Maio, por videoconferência, o que têm a dizer o Congresso e os procuradores de Nova Iorque, que exigem ter acesso às declarações de impostos de Donald Trump.
A audiência estava inicialmente agendada para 31 de Março, mas foi adiada por causa do novo coronavírus. De acordo com a imprensa internacional, a decisão dos juízes (cinco conservadores, dois deles nomeados pelo líder da Casa Branca, e quatro liberais) é esperada para finais de Junho e pode mesmo influenciar os resultados das presidenciais de Novembro.
Quando era apenas candidato em 2016, recorde-se que Trump recusou-se a divulgar as suas declarações de impostos. Mas, desde que os democratas recuperaram o controlo da Câmara dos Representantes, nas eleições intercalares de 2018, têm procurado aceder à informação. «O presidente Trump é o primeiro em quase meio século a quebrar o precedente e a recusar entregar voluntariamente as suas declarações de impostos», apontou Dan Kildee, da comissão responsável por toda a legislação sobre impostos, em declarações ao “The New York Times”. Kildee acrescentou: «O presidente é a única pessoa que pode passar leis e o público merece saber se os interesses financeiros pessoais do presidente afectam a sua tomada de decisões pública».
Trump é, assim, o primeiro líder dos Estados Unidos a recusar a entrega destes dados desde Richard Nixon, ainda durante os anos 70.
Ao todo, serão analisados, nesta terça-feira, três processos: Trump/Mazars, Trump/Deutsche Bank e Trump/Vance. A primeira remonta a Abril do ano passado, altura em que a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes intimou a empresa de contabilidade de Trump, Mazars USA, para que esta fornecesse as declarações financeiras que preparou em nome do Presidente, da sua fundação e vários negócios do presidente entre 2011 e 2019. O objectivo é determinar se Donald Trump apresentou falsas declarações de impostos no passado, depois de o seu antigo advogado, Michael Cohen, admitir que o líder norte-americano inflacionava ou desinflaccionava os seus bens em função dos seus interesses.
Entretanto, o caso foi parar ao Supremo, onde foi agregado a outro processo contra dois dos bancos onde Trump tem contas: o Deutsche Bank e o Capital One. Neste caso, foram as comissões dos Serviços Financeiros e a de Inteligência que emitiram a intimação, sendo que a primeira está a investigar a entrada de dinheiro ilícito nos Estados Unidos, incluindo de oligarcas russos, através de empresas fantasma que fazem investimentos no país, incluindo no mercado imobiliário, de onde provém a riqueza do líder da Casa Branca.
O terceiro refere-se à denúncia de um júri do estado de Nova Iorque que está a investigar alegadas ligações criminosas das empresas de Trump, entre as quais o alegado pagamento feito a duas ex-amantes do Presidente.
*Notícia actualizada às 10:34














