Vice-presidente do Governo dos Açores avisa que região tem de se preparar para o novo quadro financeiro plurianual

 

Executive Digest com Lusa

O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima (CDS-PP), defendeu hoje que a região tem de se preparar para o novo quadro financeiro plurianual da União Europeia, defendendo que o desenvolvimento dos Açores passa pelo pilar 2.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

“Os próximos tempos vão ser tempos muito exigentes. Os Açores têm tudo, mas tudo, para vingarem nesse próximo quadro financeiro plurianual. Não pode é ser só teoria. É preciso criar aqui um verdadeiro ecossistema que possa competir com os melhores da Europa. Nós vamos ter de nos preparar”, afirmou o governante, que tutela as áreas da ciência e tecnologia.


O vice-presidente do executivo açoriano falava, em Angra do Heroísmo, numa cerimónia de comemoração dos seis anos da inauguração do Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira (Terinov), que considerou um “exemplo a seguir”.


Artur Lima defendeu que o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia, para o período 2028-2034, é “estratégico para o desenvolvimento dos Açores”, destacando o pilar 2, que diz respeito à competitividade e sociedade, com verbas para transição limpa e descarbonização industrial, saúde, biotecnologia e bioeconomia, liderança digital e resiliência, segurança e defesa.


O governante salientou, no entanto, que os Açores têm de se preparar e dirigiu-se, em particular, à academia açoriana.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

“O pilar 2 é um pilar muito importante. É preciso, nesta altura, começar já a estabelecer parcerias e é preciso que a Universidade dos Açores acorde para o futuro. Digo isso com todo o desprendimento e com toda a frontalidade. Nós precisamos de uma universidade interventiva, ativa no futuro, que não viva de um polo, mas que viva dos polos, de interação, de investigação, da ciência, com os parques de ciência e tecnologia, e que, sobretudo, olhem para o pilar 2 do próximo quadro financeiro plurianual”, vincou.


O vice-presidente do executivo açoriano sublinhou que a União Europeia “mudou toda a sua política de investigação, de ciência, de defesa, de estratégia e de geoestratégia” e avisou que os Açores não se podem “refugiar no passado”, sob pena de “perderem o comboio”.


“Nada vai ser como dantes. Não vale a pena andarmos a sonhar com o passado. Não vale a pena ficarmos retidos no passado. Não vale a pena ficarmos retidos em programas específicos. São importantes, são fundamentais, mas não são o nosso futuro”, acrescentou.


Na cerimónia de aniversário, Artur Lima destacou o “percurso extraordinário” do Terinov, alegando que em seis anos se assumiu como um “verdadeiro polo científico” da região, com projetos em “setores vitais”, que capacitam o tecido produtivo dos Açores e “fixam talento jovem e qualificado” na região.


Inaugurado há seis anos, o Terinov abriu portas há oito e incuba atualmente 99 entidades (91 de natureza empresarial e oito de natureza científica), num total de 338 utilizadores, de 14 nacionalidades, onde se incluem 25 doutorados.

Continue a ler após a publicidade

O diretor executivo do parque, Duarte Pimentel, destacou a participação em eventos como a Web Summit e a Sim Conference, acrescentando o ecossistema do Terinov, incluindo antigas ‘startups’, assegurou recentemente 14 milhões de euros do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade.


“O nosso ecossistema começa a demonstrar não só uma maturidade e uma fase de consolidação, mas começa-se a demonstrar como um ecossistema altamente competitivo”, sublinhou.


A Red Cat Pig foi uma das primeiras empresas incubadas no Terinov. Este ano, transferiu-se para uma sede própria com 50 funcionários e a trabalhar com alguns dos maiores estúdios de videojogos do mundo.


Marco Bettencourt destacou o papel do ecossistema na angariação de investidores e defendeu que o Terinov é um dos melhores parques de ciência e tecnologia do país.


“Eu acho que consigo ter essa visão, devido ao facto de ir muito lá fora, de conhecer os outros parques tecnológicos e outros mecanismos de suporte ao empreendedorismo. Por isso, tenho a clara visão de que o que nós temos em casa é muito melhor. É muito superior. Infelizmente, quem não tem esta oportunidade de ir lá fora, não consegue ver isto”, salientou.

Continue a ler após a publicidade

Leonilde Fonseca criou uma empresa de arquitetura e construção civil, que hoje conta com 12 funcionários. O Terinov foi a sua “primeira casa em nome individual”, numa altura de “mudança” e “incerteza”.


“Passar por aqui é muito importante, porque nós não estamos isolados em casa a começar um negócio, estamos rodeados de pessoas que também estão a fazer o mesmo, que todos os dias nos ajudam”, apontou.


Miguel Ávila criou uma empresa de engenharia civil e uma plataforma digital para que os clientes possam acompanhar a obra. Entrou no Terinov há sete anos, com duas funcionárias, e saiu com sete, incluindo uma pessoa autista e uma natural de Espanha. 


“A forma como se integraram no Terinov foi mesmo indispensável para que hoje sejamos oito pessoas bastante unidas e com bom trabalho de equipa”, frisou.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.