ENTREVISTA: ‘Fact-checking’ é importante mas não a cura para a desinformação – Jochen Spangenberg

*** Por Alexandra Luís, da agência Lusa ***

Executive Digest com Lusa

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*** Por Alexandra Luís, da agência Lusa ***



Sófia, 11 jul 2026 (Lusa) – O vice-chefe de projetos de investigação e cooperação da Deutsche Welle admite, em entrevista à Lusa, que o ‘fact-checking’ é importante, mas não a cura para a desinformação, defendendo a aposta numa prevenção proativa (‘prebunking’).


O ‘prebunking’ é uma espécie de pré-desmascaramento, ou seja, antecipa e desarma uma mentira antes que ela seja contada e é uma estratégia de prevenção contra a desinformação

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Questionado sobre se a literacia mediática e o ‘fact-checking’ [verificação de factos] são suficientes para combater a desinformação, Jochen Spangenberg, ‘deputy head of research & cooperation projects’ [cargo em inglês] na Deutsche Welle, considera que não.


“Não é suficiente, mas é um ingrediente importante”, admite o responsável, que foi um dos oradores do seminário Connecting UE, organizado pelo Comité Económico e Social Europeu [European Economic and Social Committee] (EESC), que decorreu em 06 e 07 de julho em Sófia, Bulgária.


A literacia mediática “é muito, muito importante, precisamos dedicar tempo e recursos a ensinar literacia mediática desde muito cedo”, aponta.


Os jovens de hoje “— bem, eles frequentemente crescem cercados por dispositivos digitais -, mas será que sabem quais são as dinâmicas económicas e os mecanismos subjacentes, como tudo isso funciona”, questiona.


Portanto, “precisamos ensiná-los como tudo isso funciona: como operam os sistemas de media, as plataformas e os algoritmos. Assim, a literacia algorítmica — e tudo o que isso envolve — é extremamente importante”, defende Jochen Spangenberg.

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“Não posso falar por todos os países europeus, mas, nos poucos que conheço — a Alemanha sendo um deles —, ainda há muito a ser feito”, salienta, referindo que o ‘fact-checking’ “é importante, mas não é a cura”.


Até porque se “acaba sempre a correr atrás do prejuízo” e a desinformação “está por toda a parte” e é “impossível verificar tudo”, prossegue Jochen Spangenberg.


Na sua opinião, “é preciso fazer uma seleção”, até porque quando se faz uma verificação de factos de um conteúdo “logo em seguida, surge uma nova informação falsa”.


Jochen Spangenberg sugere como estratégia possível o ‘prebunking’, ou seja, consciencializar as pessoas antes mesmo da disseminação de desinformação como acontece, por exemplo, no contexto das eleições.


“Sabemos que haverá uma grande propagação de informações falsas antes das eleições: portanto, promover a tomada de consciência através de iniciativas de ‘prebunking’ é algo importante”, salienta.

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De modo geral, “todos esses ingredientes” como ‘fact-checking, literacia mediática e a aplicação de regulação, por exemplo.


Nesse sentido, há uma série de ações necessárias “que precisam ser implementadas” e é preciso “enfrentar esses desafios”, reforça,


Sobre a pressão sobre os media tradicional, Jochen Spangenberg considera que isso afeta todo o setor.


“Vemos que os nossos próprios canais estão frequentemente em declínio, com menos pessoas a ir diretamente às marcas”, mas antes às redes sociais – YouTube, Instagram, TikTok, e assim por diante, “e essa é uma das grandes questões”, considera Jochen Spangenberg.


Ou seja, “vai até onde as pessoas estão, mas depois acaba a depender dessas plataformas de terceiros? Afinal, se o YouTube ou o TikTok, por exemplo, fizerem ajustes no algoritmo, pode deixar de aparecer por lá — ou não aparecer como gostaria —, já que, muitas vezes, não tem controlo sobre o que acontece nessas plataformas”, questiona.


Esta é uma “questão muito debatida” porque se os media não estão aonde os jovens estão, “corre o risco” de ninguém prestar atenção à marca e isso é “um dilema”.

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Paralelamente, há empresas de media a enfrentar dificuldades financeiras, as receitas estão a diminuir ou, “na melhor das hipóteses, estagnadas”, até porque “raramente se veem aumentos significativos na receita — seja proveniente de publicidade ou de taxas de licenciamento”.


A isto soma-se “muita pressão política” e “para muitas emissoras europeias, no atual clima político, existem diversas entidades ou partidos políticos que querem acabar, por exemplo, com as emissoras de serviço público”, destaca.


“Pessoalmente, acredito que há um papel extremamente importante para organizações de media que não são regidas por imperativos financeiros — aquelas voltadas a servir o público, como nós da Deutsche Welle, mas também muitas outras na Europa”, sublinha.


“Temos um propósito: servir ao público. Não se trata de ganhar muito dinheiro, mas sim de servir a sociedade com notícias independentes e informações bem investigadas e confiáveis” e, portanto, “essas organizações de media desempenham um papel fundamental para o funcionamento da sociedade e da democracia”, remata Jochen Spangenberg.



*** A Lusa viajou a convite do European Economic and Social Committee ***

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