As misteriosas explosões de quinta-feira à noite no Irão: ninguém assume a responsabilidade

Agência iraniana Mehr noticiou na noite desta quinta-feira várias explosões na zona de Bushehr, cidade onde se encontra a única instalação nuclear civil do Irão. Foram também ouvidas explosões numa cidade próxima e no porto de Konarak, no extremo sudeste do país

Francisco Laranjeira

O cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão voltou a ficar sob pressão depois de meios estatais iranianos terem noticiado explosões em vários pontos do sul do país. Washington nega ter realizado novos ataques, enquanto diplomatas de vários países do Médio Oriente tentam convencer as partes a regressar às negociações.

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Segundo o ‘El País’, a agência iraniana Mehr noticiou na noite desta quinta-feira várias explosões na zona de Bushehr, cidade onde se encontra a única instalação nuclear civil do Irão. Foram também ouvidas explosões numa cidade próxima e no porto de Konarak, no extremo sudeste do país.

Apesar dos relatos iranianos, uma fonte do Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares americanas no Médio Oriente, garantiu à ‘Al Jazeera’ que as forças dos EUA não atacaram o Irão nas últimas horas. Outras fontes governamentais citadas pelo ‘Axios’ insistiram que Washington não realizou qualquer novo ataque na quinta-feira.

A origem das explosões permanece, por isso, em aberto. Entre as hipóteses admitidas estão um ataque de outro ator regional, uma ação de grupos armados dentro do Irão, explosões não relacionadas com uma ofensiva militar ou mesmo disparos de sistemas de defesa aérea.

O delegado adjunto do governo da província de Bushehr, Ehsan Jahanian, sugeriu à agência IRNA que os estrondos ouvidos na região poderiam ter sido provocados por sistemas de defesa aérea. Essa possibilidade deixaria em aberto a hipótese de disparos por engano ou de reação a um objeto identificado como ameaça.

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Na quinta-feira, Donald Trump reuniu-se com a sua equipa de segurança nacional para discutir a situação no Irão. Depois do encontro, uma fonte da administração americana disse ao Axios que Washington continua empenhado em encontrar uma solução e que decorrem contactos a nível técnico.

A mensagem contrasta com as declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos na quarta-feira, durante a cimeira da NATO em Ancara, quando declarou “encerrado” o acordo de cessar-fogo com Teerão. A oscilação reforçou os receios de uma rutura definitiva da trégua.

O risco de nova guerra aumentou no início da semana, depois de ataques atribuídos ao Irão contra pelo menos três petroleiros no Estreito de Ormuz. Em resposta, os Estados Unidos revogaram a autorização concedida ao Irão para exportar petróleo, uma das condições previstas no acordo de cessar-fogo, e lançaram ataques contra dezenas de alvos.

A ofensiva americana atingiu cerca de uma centena de objetivos em duas noites consecutivas. Segundo o Ministério da Saúde iraniano, pelo menos 14 pessoas morreram e 78 ficaram feridas. O Irão respondeu com drones e mísseis balísticos contra instalações militares ligadas aos EUA no Bahrein, Qatar e Kuwait.

A aparente tentativa de Washington de regressar a uma postura mais moderada surge após intensa mediação regional. Países diretamente afetados pelas represálias iranianas, bem como outros atores com influência sobre Teerão e Washington, têm tentado conter a escalada.

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Fontes diplomáticas turcas disseram ao ‘El País’ que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, falou por telefone com o homólogo iraniano, Abbas Aragchi, para discutir o cessar-fogo e os últimos desenvolvimentos na região.

Aragchi falou também com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, segundo a IRNA. Riade e Teerão têm um longo historial de rivalidade, mas nos últimos meses têm procurado coordenar esforços para evitar que a crise derive para uma guerra regional aberta.

O Qatar, o Egito e o Paquistão também têm estado envolvidos nos contactos diplomáticos. Uma delegação de negociadores qatari chegou a Teerão esta sexta-feira para se reunir com representantes do Governo iraniano e tentar criar condições para retomar as conversações sobre o memorando de entendimento, numa iniciativa coordenada com a Casa Branca, segundo a Reuters.

A sexta-feira começou com relativa calma após vários dias de ataques, ameaças e declarações contraditórias. Mas a incerteza mantém-se. As explosões no sul do Irão, a nega dos Estados Unidos e a fragilidade do cessar-fogo mostram que qualquer incidente pode voltar a empurrar a região para uma escalada militar.

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