Candidaturas ao ensino superior arrancam hoje: Um guia completo com prazos, vagas, regras e tudo o que precisa de saber

Arranca esta segunda-feira a primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior 2026/27, um processo que vai determinar a colocação de dezenas de milhares de estudantes nas universidades e institutos politécnicos públicos portugueses.

Pedro Zagacho Gonçalves

Arranca esta segunda-feira a primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior 2026/27, um processo que vai determinar a colocação de dezenas de milhares de estudantes nas universidades e institutos politécnicos públicos portugueses. Este ano, o regime geral disponibiliza 56.790 vagas, distribuídas por instituições de ensino superior de todo o país, num concurso que chega com novidades importantes, como o fim da obrigatoriedade de realização de duas provas de ingresso para determinados cursos e um reforço da oferta em áreas estratégicas como Medicina e Educação Básica. Ao longo das próximas semanas, os candidatos terão de cumprir um calendário rigoroso, reunir a documentação necessária e submeter a candidatura através da plataforma da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). Eis um guia completo, em formato de perguntas e respostas, com tudo o que precisa de saber.

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Quando começam as candidaturas?
A primeira fase do concurso nacional começa esta segunda-feira, 20 de julho.

Os candidatos abrangidos pelo contingente prioritário destinado a emigrantes portugueses, familiares residentes com estes, luso-descendentes e estudantes que pretendam substituir provas de ingresso por exames estrangeiros podem apresentar candidatura até 27 de julho.

Os restantes candidatos dispõem de um prazo mais alargado, que termina a 6 de agosto.

As restantes fases decorrem nas seguintes datas:

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  • 2.ª fase: candidaturas entre 24 de agosto e 2 de setembro;
  • 3.ª fase: candidaturas entre 22 e 24 de setembro.

Quantas vagas estão disponíveis este ano?
O concurso nacional disponibiliza 56.790 vagas através do regime geral de acesso.

Destas:

  • 34.841 vagas pertencem às universidades públicas;
  • 21.949 vagas destinam-se aos institutos politécnicos públicos.

Além destas, existem 21.493 vagas adicionais distribuídas por concursos especiais e regimes próprios de acesso, destinados, entre outros, a estudantes internacionais, maiores de 23 anos, titulares de diplomas de Técnico Superior Profissional (CTeSP) e licenciados que pretendam ingressar num novo ciclo de estudos. Nestes casos, os calendários e regras são definidos autonomamente por cada instituição.

Quem pode candidatar-se?
Podem candidatar-se ao concurso nacional:

  • cidadãos portugueses;
  • cidadãos de outro Estado-membro da União Europeia;
  • familiares de cidadãos portugueses ou da União Europeia, independentemente da nacionalidade;
  • residentes num Estado-membro da União Europeia há mais de dois anos (contados a 1 de janeiro do ano de ingresso), bem como os respetivos filhos;
  • beneficiários do estatuto de igualdade de direitos e deveres previsto em tratados internacionais.

Os estudantes internacionais seguem, regra geral, concursos próprios promovidos pelas instituições de ensino superior.

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Quais são os requisitos para concorrer?
Para apresentar candidatura é necessário:

  • ter concluído o ensino secundário ou possuir habilitação equivalente;
  • ter realizado, em 2023, 2024, 2025 ou 2026, os exames nacionais exigidos pelo curso pretendido;
  • cumprir os pré-requisitos eventualmente exigidos por cada curso;
    possuir a Ficha ENES 2026, emitida pela escola onde realizou os exames nacionais.

Caso exista alteração de classificações após reapreciação ou reclamação, deverá ser solicitada uma nova Ficha ENES.

Como é calculada a nota de candidatura?
A classificação de candidatura resulta da ponderação definida por cada instituição e curso, respeitando os seguintes limites:

  • classificação final do ensino secundário: peso mínimo de 40%;
  • provas de ingresso: peso mínimo de 45%;
  • pré-requisitos, quando existam: peso máximo de 15%.

As classificações do ensino secundário e dos exames nacionais são utilizadas sem arredondamentos, sendo convertidas para uma escala de 0 a 200 pontos.

O que mudou este ano nas provas de ingresso?
Uma das principais novidades do concurso de 2026/27 é o fim da obrigatoriedade de realização de duas provas de ingresso.

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Após a revogação dessa exigência pelo Governo, as instituições podem agora exigir apenas uma prova de ingresso, dependendo do curso.

A medida surge depois de, no ano letivo anterior, se ter registado uma quebra significativa de candidatos colocados. Segundo estimativas do Ministério da Educação, a obrigatoriedade das duas provas terá sido responsável por cerca de 46% da redução verificada na primeira fase do concurso de 2025/26.

Que cursos reforçaram o número de vagas?
O reforço da oferta incidiu sobretudo em duas áreas consideradas prioritárias.

Na Educação Básica, passam a existir 1.344 vagas, mais 147 do que no concurso anterior.

Já Medicina disponibiliza 1.656 vagas, um aumento de 62 lugares face ao ano letivo anterior. O reforço resulta, entre outros fatores, do aumento de vagas na Universidade de Coimbra e da abertura de um novo curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com capacidade para receber 40 estudantes.

Como pedir a senha de acesso?
A candidatura é feita exclusivamente através da plataforma da DGES e exige uma senha de acesso.

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Grande parte dos estudantes já possui essa senha por a ter solicitado durante a inscrição para os exames nacionais. Quem ainda não a tenha pode pedi-la na plataforma da DGES até ao final do prazo de candidatura da fase em que pretende concorrer.

Depois do pedido, é enviada uma mensagem para o endereço de correio eletrónico indicado. O candidato deve confirmar o pedido, imprimir o recibo e entregá-lo na escola secundária ou num Gabinete de Acesso ao Ensino Superior para certificação. Só depois recebe a senha definitiva.

Caso o candidato seja menor de idade, o recibo deve ser assinado pelo encarregado de educação.

Como se faz a candidatura?
Depois de obter a senha, o candidato pode entrar na plataforma da DGES utilizando a Chave Móvel Digital ou as credenciais exigidas.

Cada estudante pode indicar até seis opções de curso, ordenadas por preferência, podendo alterá-las livremente enquanto decorrer o prazo da candidatura.

A colocação é determinada pela combinação entre a ordem de preferência indicada e a posição do candidato nas listas de seriação. Em cada fase apenas pode existir uma colocação por candidato.

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O que acontece se discordar da nota de um exame?
Os alunos podem pedir a consulta da prova no próprio dia da divulgação das classificações ou no dia útil seguinte.

Depois de consultarem o exame, podem requerer a reapreciação, mediante fundamentação e pagamento de 25 euros, exceto quando a contestação incide apenas sobre a soma das cotações.

Se continuarem a discordar da decisão, podem apresentar reclamação junto do Presidente do Júri Nacional de Exames.

Caso uma reapreciação ou reclamação altere a classificação depois de terminado o prazo de candidatura ao ensino superior, o estudante dispõe de três dias para apresentar candidatura ou alterar as opções de curso.

Quais são os contingentes especiais?
Na primeira fase existem, além do contingente geral, vários contingentes especiais destinados a:

  • candidatos oriundos dos Açores e da Madeira;
  • emigrantes portugueses e respetivos familiares;
  • militares em regime de contrato;
  • candidatos com deficiência igual ou superior a 60%;
  • beneficiários da ação social escolar, nas instituições que preveem esse contingente.

Na segunda fase mantêm-se apenas os contingentes para emigrantes, luso-descendentes e candidatos com deficiência. A terceira fase não contempla contingentes especiais.

Quando são conhecidos os resultados?
O calendário oficial estabelece as seguintes datas:

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Primeira fase

Resultados: 23 de agosto;
Matrículas: 24 a 27 de agosto;
Reclamações: 24 a 28 de agosto.

Segunda fase

Resultados: 13 de setembro;
Matrículas: 14 a 16 de setembro;
Reclamações: até 18 de setembro.

Terceira fase

Resultados: 30 de setembro;
Matrículas e inscrições: até 2 de outubro.

O que devo fazer se for colocado?
Após a divulgação dos resultados, os candidatos colocados devem efetuar a matrícula dentro dos prazos definidos pela instituição onde obtiveram colocação.

Cada universidade ou instituto politécnico fixa os procedimentos específicos, os documentos exigidos e a forma de matrícula, que pode ser presencial, eletrónica ou através de ambos os meios.

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Com quase 57 mil vagas disponíveis, alterações relevantes nas regras de acesso e reforço da oferta em cursos estratégicos, o concurso nacional de acesso ao ensino superior de 2026/27 arranca hoje e será acompanhado de perto por milhares de estudantes que procuram garantir um lugar no ensino superior público português.

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