O Abanca consolidou a sua presença em Portugal depois da integração total do EuroBic, transformando o mercado português num dos principais motores de crescimento do grupo galego. Embora a instituição tenha presença noutros mercados europeus, Portugal tornou-se, em poucos anos, o segundo grande eixo da atividade da entidade, adianta hoje o ElEconomista.
A entrada do Abanca no mercado português aconteceu em março de 2018, com a compra da banca comercial e pessoal do Deutsche Bank em Portugal. Em 2023, o grupo deu um passo decisivo com a aquisição do EuroBic. já em novembro de 2025, a entidade anunciou a conclusão da integração jurídica e tecnológica desse negócio, com a criação do Abanca Portugal, que é hoje o 7º maior banco do país.
Crédito novo duplicou em Portugal
A evolução da atividade em Portugal tem sido marcada pelo aumento do crédito concedido a empresas e particulares. O próprio Abanca reconhece que as novas formalizações de crédito no mercado português duplicaram em relação ao ano anterior.
O crescimento é expressivo quando comparado com o início do processo. Em 2022, o novo crédito formalizado ascendia a 600 milhões de euros. No último ano, esse valor subiu para 3.848 milhões de euros.
Este avanço fez com que Portugal liderasse o crescimento dos empréstimos europeus do Abanca fora de Espanha. No arranque de 2026, esse volume atingia 8.596,8 milhões de euros, quando dois anos antes rondava os 4.670 milhões. O peso deste crédito no total do grupo passou, assim, de 10% para 15,4%.
Portugal torna-se o segundo pulmão europeu do Abanca
Apesar de a estatística europeia incluir outros mercados onde o Abanca está presente, como a Suíça, através de uma sucursal em Genebra, e escritórios de representação na Alemanha, França e Reino Unido, o peso dominante vem de Portugal.
O mercado espanhol continua a ser, de forma destacada, o principal negócio do Abanca. Ainda assim, a expansão portuguesa criou uma situação relevante: a quota de mercado da entidade é agora de 3,2% tanto em Espanha como em Portugal, segundo os registos do grupo. Embora o mercado português seja menor, esta aproximação reforça a dimensão ibérica da instituição.
Receitas em Portugal já representam 17,1% do grupo
O impacto da operação portuguesa é particularmente visível nas receitas do Abanca. A margem bruta gerada em Portugal passou de 81 milhões de euros em 2022 para 238,9 milhões em 2024. Em 2025, atingiu já 368 milhões de euros.
Com estes valores, Portugal representa 17,1% das receitas totais do grupo Abanca. Essa proporção manteve-se no primeiro trimestre de 2026.
No mesmo período, os juros provenientes de Portugal e, em menor escala, dos restantes mercados europeus fora de Espanha chegaram a 158 milhões de euros, num total de 571 milhões. Ou seja, mais de 27% das receitas por juros do grupo tiveram origem nestes mercados, com Portugal a assumir o maior peso.
Integração do EuroBic ficou concluída em 2025
O Abanca comprou o EuroBic em novembro de 2023. A operação seguiu depois um processo gradual, concluído em julho de 2024, altura em que terminou a transação, ainda sem data definida para a tomada de controlo plena.
Durante esse período, apesar de já pertencer ao grupo galego, o banco português continuou a operar como marca independente. Essa fase terminou em novembro de 2025, com a criação do Abanca Portugal e a conclusão da integração jurídica e tecnológica.
A aposta no mercado português começou em 2018, com a compra do negócio do Deutsche Bank em Portugal. A partir daí, o Abanca iniciou uma estratégia de expansão peninsular, com Portugal a assumir o papel de segundo grande mercado do grupo.
Portugal é mercado estratégico
O plano estratégico da Abanca para 2025-2027 coloca a diversificação por linhas de negócio e por geografia como uma das prioridades. Nesse objetivo de criar fontes alternativas de crescimento, Portugal surge definido como “mercado estratégico” para o grupo.
Ao mesmo tempo, o Abanca pretende reduzir a dependência dos seus territórios tradicionais em Espanha. Galicia, Extremadura, León e Asturias continuam a concentrar 52% do volume de negócio da entidade, mas o banco tem assumido a vontade de crescer noutras regiões espanholas.
Com a integração do EuroBic e o crescimento do crédito e das receitas em Portugal, o Abanca reforça a sua posição como banco ibérico, com o mercado português a ganhar um peso cada vez mais relevante na estratégia do grupo.






