Fim à vista para a onda de calor? Alívio no litoral, temperaturas extremas no interior: o tempo para esta terça-feira

Calor extremo não desaparece do país: no interior, no Alentejo e em parte do Algarve, os termómetros continuam a poder aproximar-se dos 40 a 42 graus

Francisco Laranjeira

A onda de calor que tem afetado Portugal continental começa a dar sinais de enfraquecimento esta terça-feira, sobretudo no litoral Norte e Centro, onde a entrada de ar marítimo mais fresco deverá provocar uma descida acentuada das temperaturas. Ainda assim, o calor extremo não desaparece do país: no interior, no Alentejo e em parte do Algarve, os termómetros continuam a poder aproximar-se dos 40 a 42 graus.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a descida das temperaturas deverá continuar de forma gradual ao longo da semana, com redução progressiva dos avisos meteorológicos. A meteorologista Patrícia Marques explicou que a onda de calor deverá manter-se, pelo menos, até quarta-feira, mas que, a partir daí, várias estações deixarão de cumprir os critérios de onda de calor, à medida que os valores regressam ao que é considerado normal para a época.

Litoral com alívio e manhã de nevoeiro

A mudança mais sentida deverá ocorrer junto à faixa costeira, em particular no litoral Norte e Centro. A entrada de uma massa de ar marítimo, mais fresca e húmida, deverá trazer uma descida significativa das máximas face aos valores extremos registados nos últimos dias.

Em algumas zonas do Minho e do litoral Norte, a diferença face ao pico de calor do fim de semana poderá ser muito expressiva, com localidades que chegaram a rondar os 42 ou 43 graus a descerem para valores próximos dos 23 a 25 graus. O dia deverá começar com neblinas, nevoeiros e nuvens baixas junto à costa ocidental, podendo ocorrer chuviscos fracos e localizados durante a manhã.

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Interior ainda sob calor intenso

A realidade será diferente no interior, onde o ar quente deverá resistir durante mais tempo. Em Trás-os-Montes, nas Beiras, nos vales do Tejo e no Alentejo, as temperaturas continuarão muito elevadas, com máximas que poderão atingir 40 a 42 graus em alguns locais.

O IPMA prevê céu pouco nublado ou limpo no continente, com vento em geral fraco a moderado do quadrante oeste, tornando-se mais intenso a partir da tarde. As mínimas também começam a descer em várias regiões, mas as noites continuarão quentes em zonas do interior e do Sul, onde a recuperação térmica será mais lenta.

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Avisos continuam ativos, mas já sem vermelho esta terça-feira

Depois dos avisos vermelhos que marcaram os últimos dias, esta terça-feira o país deverá continuar com vários distritos sob aviso devido ao calor, mas com menor severidade. De acordo com a atualização do IPMA, Beja, Évora, Faro, Bragança, Castelo Branco, Guarda e Portalegre estarão sob aviso laranja por tempo quente até quarta-feira à noite. Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal, Vila Real e Viseu estarão sob aviso amarelo no mesmo período.

Na Madeira, as regiões montanhosas estarão sob aviso laranja por persistência de valores muito elevados da temperatura máxima, enquanto a costa norte, a costa sul e Porto Santo estarão sob aviso amarelo até quarta-feira à noite. Nos Açores, a previsão aponta para períodos de céu muito nublado, abertas e possibilidade de aguaceiros fracos, mais prováveis no Grupo Oriental.

Perigo de incêndio continua elevado

Apesar da descida da temperatura no litoral, o perigo de incêndio rural mantém-se como uma das principais preocupações, devido ao calor acumulado, à baixa humidade em várias regiões e à persistência de valores elevados no interior. A Proteção Civil tinha já alertado para o agravamento do perigo de incêndio rural associado ao tempo quente e seco, num contexto em que grande parte do território continental continuava sob níveis elevados de risco.

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O risco é particularmente relevante nas zonas do interior Norte e Centro, no vale do Tejo, no Alentejo e no Algarve, onde as temperaturas deverão permanecer muito altas. O perigo de incêndio rural é calculado pelo IPMA com base em fatores como temperatura do ar, humidade relativa, vento e precipitação registada nas 24 horas anteriores.

Madeira quente e Açores abafados

Nos arquipélagos, o cenário será mais estável, mas ainda com calor. Na Madeira, o céu deverá apresentar-se em geral limpo ou pouco nublado, com maior nebulosidade nas encostas viradas a norte e em Porto Santo, mas sem precipitação significativa. As temperaturas máximas deverão ficar próximas dos 27 a 30 graus, com vento fraco a moderado de noroeste.

Nos Açores, a previsão aponta para períodos de céu muito nublado, alternando com abertas, sobretudo no Grupo Central. Poderão ocorrer aguaceiros fracos nas ilhas orientais. O ambiente deverá manter-se abafado e húmido, com temperaturas máximas entre os 25 e os 28 graus e mínimas próximas dos 18 a 21 graus.

Onda de calor com fim à vista

A tendência para os próximos dias é de descida gradual da temperatura, primeiro no litoral e depois no interior. Segundo Patrícia Marques, até ao final da semana não deverá ser necessário voltar a emitir avisos de tempo quente, embora algumas regiões, sobretudo no Alentejo, ainda possam manter valores elevados durante mais tempo.

A partir desta quarta-feira, a onda de calor deverá perder expressão na maior parte das estações meteorológicas, com o país a regressar gradualmente a temperaturas mais próximas do normal para julho. Até lá, o contraste será evidente: alívio junto ao Atlântico, mas calor ainda severo no interior.

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