O Sport Lisboa e Benfica e a Fujitsu oficializaram uma parceria estratégica que reforça a aposta do clube na proteção do seu universo digital. Como Official Cybersecurity Partner do Universo Benfica, a Fujitsu contribuirá com a sua experiência em cibersegurança e resiliência operacional para responder aos desafios de um ecossistema cada vez mais conectado e exposto a ameaças.
Em entrevista conjunta à Executive Digest, João Figueiredo, Head of Cyber Security da Fujitsu Portugal, e José Pedro Ribeiro, Chief Safety & Security Officer do SL Benfica, explicam os objetivos desta colaboração e refletem sobre a crescente importância da cibersegurança para a continuidade do negócio, a confiança dos utilizadores e o futuro da transformação digital.
João Figueiredo, Head of Cyber Security Fujitsu Portugal
O que representa para a Fujitsu esta parceria como “Official Cybersecurity Partner” do universo Benfica?
Esta parceria representa muito mais do que um acordo tecnológico. É a união entre duas organizações que partilham valores fundamentais como a confiança, a resiliência, a excelência operacional e a capacidade de atuar sob pressão.
O Sport Lisboa e Benfica é uma das instituições mais reconhecidas em Portugal e gere um ecossistema cada vez mais digital, com milhões de interações, dados e serviços críticos. A Fujitsu assume esta parceria como uma oportunidade para contribuir ativamente para a proteção desse universo digital, colocando ao serviço do Benfica a sua experiência global em cibersegurança, gestão de risco e resiliência operacional.
Ao mesmo tempo, esta parceria reforça o compromisso da Fujitsu em apoiar organizações que operam em ambientes de elevada exigência, onde a continuidade das operações, a confiança dos utilizadores e a proteção da informação são fatores críticos para o sucesso.
Estamos a assistir a uma evolução mais rápida das ameaças ou é a capacidade de defesa que ainda não acompanha a complexidade atual?
Estamos a assistir aos dois fenómenos em simultâneo.
Por um lado, os cibercriminosos estão a beneficiar de níveis sem precedentes de sofisticação, automação e escala. Tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial, estão a reduzir barreiras e a acelerar a capacidade de criar ataques mais eficazes e direcionados.
Por outro lado, muitas organizações continuam a gerir ambientes tecnológicos cada vez mais complexos, distribuídos e interligados. A superfície de ataque cresceu significativamente nos últimos anos e as abordagens tradicionais de segurança já não são suficientes para responder à velocidade das ameaças atuais.
A questão deixou de ser apenas impedir ataques. O verdadeiro desafio é desenvolver capacidade para detetar rapidamente, responder de forma eficaz e recuperar com impacto mínimo no negócio. É essa capacidade de adaptação contínua que distinguirá as organizações mais resilientes na próxima década.
Até que ponto a cibersegurança deve ser encarada como uma questão de continuidade de negócio e não apenas tecnológica?
Hoje, a cibersegurança é, acima de tudo, uma questão de negócio.
As organizações dependem cada vez mais dos seus sistemas digitais para operar, servir clientes, gerir cadeias de abastecimento e tomar decisões. Quando ocorre um incidente de cibersegurança, as consequências raramente se limitam à tecnologia. O impacto estende-se à operação, à reputação, à confiança dos clientes, ao cumprimento regulatório e, em muitos casos, aos resultados financeiros.
Por essa razão, a cibersegurança deve ser integrada nas estratégias de gestão de risco e continuidade de negócio, envolvendo não apenas equipas de tecnologia, mas também conselhos de administração, equipas financeiras, jurídicas e operacionais.
As organizações mais avançadas já não encaram a cibersegurança como um centro de custo, mas como um fator essencial para garantir confiança, crescimento sustentável e capacidade de adaptação num ambiente cada vez mais digital.
O que é que ainda falta às empresas portuguesas para estarem verdadeiramente “ciber-resilientes”?
Portugal tem vindo a registar uma evolução muito positiva na maturidade das organizações em matéria de cibersegurança. No entanto, existe ainda um caminho importante a percorrer.
O principal desafio já não está apenas na tecnologia. Está na capacidade de integrar a cibersegurança na cultura organizacional e nos processos de tomada de decisão.
Ser verdadeiramente ciber-resiliente implica assumir que os incidentes podem acontecer e preparar a organização para responder e recuperar rapidamente. Isso exige maior foco em governação, gestão de risco, treino de equipas, exercícios de resposta a incidentes e colaboração entre áreas de negócio e tecnologia.
Nos próximos anos, fatores como a adoção da inteligência artificial, a crescente dependência de ecossistemas digitais e a evolução dos requisitos regulatórios irão exigir uma abordagem ainda mais integrada.
As organizações que conseguirem transformar a cibersegurança num elemento estratégico da sua gestão estarão melhor preparadas para proteger o seu crescimento, a confiança dos seus clientes e a continuidade das suas operações.
José Pedro Ribeiro, Chief Safety & Security Officer SL Benfica
De que forma é que um clube como o Benfica pode beneficiar de soluções avançadas de cibersegurança e resiliência digital?
O investimento na transformação dos serviços e a aposta no contexto digital tem sido um dos pilares do SL Benfica, permitindo estar mais próximo dos nossos sócios e adeptos.
Esta aposta tem um fator de amplificação da marca Benfica, que a projeta para além das fronteiras tradicionais e faz crescer num mundo, cada vez mais digital, a proximidade da marca, junto dos seus.
Este crescimento tem os seus desafios, principalmente num ambiente de extremo dinamismo, como é o digital, e que nos traz, a par com a disponibilização de produtos e serviços, a responsabilidade e a oportunidade de os fazer evoluir, aproveitando as capacidades já existentes das diferentes soluções existentes, abordando assim a sustentabilidade e suporte às atividades e desafios da economia digital do Universo Benfica.
Esta parceria pode ser vista como um exemplo de como o desporto e a tecnologia se cruzam cada vez mais?
No desporto, a introdução de soluções tecnológicas é uma realidade já consolidada, seja no contexto desportivo e de competição, nos serviços de suporte á atividade das entidades que desenvolvem a prática e a competição, e até nas soluções que são disponibilizadas para a sua massa adepta, como é o exemplo verificado nas transmissões televisivas, em que se acrescentam diversos indicadores individuais e coletivos para enriquecer a emissão de um determinado evento.
No que esta parceria se destaca, é que também a proteção destas atividades e do produto que é fruto do crescimento e investimento tecnológico, é um dos pilares que contribuem para o seu desenvolvimento.
Que tipo de desafios específicos existem na proteção de uma organização com a dimensão e visibilidade do Benfica?
Há diferentes fatores que contribuem para a nossa especificidade, começando com a característica emotiva, que envolve a massa adepta e que impacta diretamente todos os envolvidos. Este será o principal fator da dimensão e exposição do Benfica e que é, e sempre será, algo que distingue a nossa atividade, das demais.
Adicionalmente, e próprio do desenvolvimento da atividade da prática desportiva e de competição, desafio transversal ao setor, abordar o desenvolvimento, tanto dos atletas como dos profissionais que os acompanham, em que a aposta na formação do capital humano tem de acompanhar a capacidade das ferramentas e condições que dispõe.
Noutra perspetiva, o próprio tecido organizacional á volta da atividade desportiva, de formação e profissional, têm maturidades e capacidades muitos dispares, principalmente no contexto tecnológico, tendo tanto de desafio como de oportunidade para desenvolver e criar valor para este setor.













