O Koenigsegg de milhões que parecia ter sido roubado por mercenários… vai afinal a leilão

Um ex-piloto de Fórmula 1, um dos Koenigsegg mais raros do planeta, rumores sobre mercenários russos, alegações de roubo, Interpol e um valor acima dos 10 milhões de dólares

Automonitor

Tinha todos os ingredientes de uma história demasiado perfeita para ficar confinada ao mundo dos automóveis: um ex-piloto de Fórmula 1, um dos Koenigsegg mais raros do planeta, rumores sobre mercenários russos, alegações de roubo, Interpol e um valor acima dos 10 milhões de dólares. Mas, como tantas vezes acontece com histórias boas demais, a versão mais espetacular não era exatamente a verdadeira.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

O carro no centro da novela é um Koenigsegg One:1, um hipercarro sueco produzido em números mínimos e conhecido pela relação peso-potência que lhe deu o nome: um cavalo por cada quilo. A ‘Carscoops’ noticiou que o exemplar associado durante meses a rumores de roubo e desaparecimento afinal não terá sido roubado, estando agora a caminho de leilão.

O caso ganhou dimensão internacional quando surgiram relatos de que um Koenigsegg One:1 ligado ao antigo piloto Adrian Sutil teria desaparecido no Mónaco, no meio de uma disputa envolvendo vários carros de luxo. A história chegou a incluir referências a mercenários russos e a uma investigação internacional, o tipo de enredo que parece feito para alimentar fóruns de supercarros e contas de Instagram.

Mas a versão entretanto apurada é menos cinematográfica. Segundo a ‘Carscoops’, o jornal alemão ‘Bild’ localizou o carro em Munique em março e concluiu que o One:1 não estava desaparecido: tinha sido apreendido pela polícia criminal do estado alemão de Baden-Württemberg e depois libertado para a empresa de leasing AIL Leasing.

A ‘Autoevolution’ avançou uma leitura semelhante, referindo que o automóvel não teria pertencido diretamente a Adrian Sutil, o que tornaria incorreta a narrativa de que lhe teria sido roubado. O resultado foi uma espécie de desmontagem pública de uma história que circulou durante semanas com contornos de thriller automóvel.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Ainda assim, o carro continua a ser suficientemente extraordinário para dispensar qualquer intriga. O Koenigsegg One:1 é uma das máquinas mais exclusivas da marca sueca, com produção extremamente limitada e estatuto quase mítico entre colecionadores. Estimativas recentes colocavam o valor do exemplar entre 9 e 11 milhões de dólares, ou cerca de 7,9 a 9,7 milhões de euros.

O nome One:1 nasceu da promessa técnica que definia o modelo: 1.360 cv para cerca de 1.360 quilos. Na prática, era um carro pensado para empurrar os limites do que se podia matricular e conduzir fora de uma pista, embora o seu valor atual o coloque mais perto de uma obra de coleção do que de uma máquina para usar ao fim de semana.

O mais curioso é que a história do carro parece ter seguido o caminho inverso ao habitual. Muitos hipercarros vão a leilão acompanhados por números de produção, detalhes de carbono, quilómetros percorridos e histórico de manutenção. Este chega rodeado por uma nuvem de rumores, desmentidos e versões contraditórias que podem, paradoxalmente, aumentar ainda mais o interesse à sua volta.

Para um comprador, a pergunta deixará de ser apenas quanto vale um Koenigsegg One:1. Será também quanto vale o exemplar que, durante algum tempo, pareceu ter entrado numa história com mercenários, polícia alemã e manchetes internacionais.

No fim, talvez seja essa a verdadeira força deste carro. Não precisava de uma novela para ser raro. Já era um dos Koenigsegg mais extremos alguma vez construídos. Mas agora tem também uma narrativa própria, mesmo que parte dela tenha sido desfeita. E, no mercado dos colecionáveis, uma boa história — mesmo quando afinal era menos dramática do que parecia — também se paga.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.