Steelcase: Ambientes de trabalho desenhados para potenciar pessoas

A evolução dos modelos híbridos está a transformar os espaços de trabalho, que assumem um papel cada vez mais estratégico na produtividade, colaboração e bem-estar das equipas.

Executive Digest

Com mais de um século de actividade, a Steelcase tem vindo a afirmar-se como um parceiro estratégico global na transformação do trabalho. O elemento diferenciador é o investimento contínuo em investigação sobre comportamento humano, antecipando necessidades e não apenas reagindo ao mercado, traduzindo-se em soluções que cruzam ergonomia, tecnologia e cultura organizacional, com impacto mensurável na produtividade, no engagement e na capacidade de inovação das equipas, contribuindo igualmente para decisões mais informadas por parte das lideranças. Em entrevista à Executive Digest, Rui Malcata, director da Steelcase Portugal, partilha a visão da empresa para o futuro do trabalho e o papel que os espaços podem desempenhar na produtividade, inovação e bem-estar das equipas.

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Como define a Steelcase, actualmente, o futuro dos ambientes de trabalho?

O futuro do trabalho será híbrido e mais intencional. O escritório deixa de ser o centro exclusivo da actividade para assumir um papel focado na colaboração, aprendizagem e cultura organizacional, exigindo espaços adaptados a diferentes formas de trabalho. O digital torna-se estrutural, assegurando uma experiência consistente entre o presencial e o remoto. Neste contexto, ganha importância a “vantagem cognitiva”, com o espaço a apoiar a concentração, a criatividade, o pensamento crítico e a ligação social, competências cada vez mais diferenciadoras num contexto de crescente utilização da AI.

Quais são as principais tendências que estão a moldar o design de escritórios e de que forma a Steelcase as integra no seu portefólio de soluções?

As principais tendências no design de escritórios passam pela flexibilidade, humanização e integração tecnológica.

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Os espaços tornam-se mais modulares e adaptáveis, incorporam elementos que promovem o bem-estar e a identidade das organizações, e estão preparados para suportar a colaboração híbrida. A Steelcase integra estas dimensões através do conceito “Community-Based Design”, que encara o local de trabalho como um ecossistema de espaços interligados para foco, colaboração, socialização, aprendizagem e regeneração. A diversidade de ambientes contribui para maiores níveis de engagement, produtividade e bem-estar.

Como é que garantem uma experiência positiva e contínua para o cliente ao longo de todo o processo, desde o design até à implementação das soluções?

A Steelcase adopta uma abordagem end-to-end, que começa com um diagnóstico aprofundado das necessidades da organização e evolui para processos de cocriação com líderes e colaboradores. Seguindo o princípio “design with, not for”, procura traduzir comportamentos e necessidades reais em soluções concretas. A implementação é acompanhada de forma rigorosa para garantir coerência entre conceito e execução, sendo posteriormente realizada uma avaliação pós-ocupação para ajustar e optimizar os espaços de acordo com os objectivos da organização.

De que forma asseguram que cada solução responde às necessidades únicas de cada organização e dos seus colaboradores?

A Steelcase parte do princípio de que não existem soluções universais para desafios complexos. Por isso, desenvolve respostas ajustadas à cultura, liderança e dinâmica de cada organização, combinando insights, dados quantitativos e benchmarking global. O objectivo é responder às necessidades actuais e antecipar desafios futuros, como o bem-estar, a evolução do trabalho híbrido, a atracção e retenção de talento e a necessidade de maior agilidade organizacional.

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Pode partilhar um caso de sucesso que represente a abordagem da Steelcase?

Mais do que destacar um caso específico, o sucesso da nossa abordagem reflecte-se na posição de liderança global da Steelcase e no crescimento alcançado em Portugal ao longo da última década. O acompanhamento contínuo dos clientes permite-nos responder às mudanças organizacionais e incorporar aprendizagens em cada novo projecto. Entre os mais recentes, destacamos a nova sede da Adecco em Lisboa, concluída recentemente, cujo feedback tem sido muito positivo.

Que elementos de design acreditam ter maior impacto na produtividade das equipas e na forma como trabalham no dia-a-dia?

A produtividade está cada vez mais ligada à capacidade de gerir a atenção. Por isso, factores como a ergonomia, a qualidade acústica, a iluminação, a privacidade visual e a diversidade de espaços são fundamentais. A chamada “ergonomia cognitiva” reforça a importância de criar ambientes que reduzam a carga cognitiva, promovam o foco e estimulem a criatividade.

Como integram o bem-estar e a sustentabilidade nas vossas soluções e qual o seu impacto nas organizações?

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Bem-estar e sustentabilidade são hoje dimensões estratégicas e indissociáveis. O espaço influencia directamente a saúde mental, o nível de stress e a capacidade de concentração, enquanto ambientes que promovem ligação social e controlo individual contribuem para uma melhor performance. Do ponto de vista ambiental, a aposta na circularidade, em materiais responsáveis e no design para longevidade reduz a pegada ecológica e reforça o alinhamento entre o espaço e os valores da organização.

Como vê a evolução dos ambientes de trabalho nos próximos anos, especialmente com o crescimento dos modelos híbridos?

Acredito que os ambientes de trabalho se tornarão mais inteligentes, adaptativos e orientados por dados. A integração entre espaço e tecnologia será cada vez mais profunda, impulsionada pela IA, que está a alterar os padrões de trabalho entre momentos de foco individual e colaboração em equipa. Neste contexto, o escritório tenderá a afirmar-se como uma comunidade activa, centrada na qualidade das interacções, funcionando como um hub de cultura, inovação e ligação humana. As organizações que conseguirem alinhar espaço, tecnologia e cultura estarão mais bem posicionadas para atrair, reter e desenvolver talento.

Este artigo faz parte da edição de Junho (n.º 243) da Executive Digest.

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