Numa altura em que a sustentabilidade empresarial é cada vez mais escrutinada e em que o risco de greenwashing paira sobre qualquer estratégia ESG, o Wellow Group aposta numa lógica diferente: a de que o ponto de partida e de chegada de todas as decisões são as pessoas. É essa convicção que Tatiana Vale, Chief Marketing Officer (CMO) do grupo, descreve como o fio condutor de um ecossistema que actua em áreas tão diversas como os Recursos Humanos, a Energia, o Imobiliário ou os Seguros.
A diversidade de negócios poderia tornar difícil a construção de uma estratégia ESG coerente, mas a responsável vê nessa heterogeneidade um denominador comum: «criar valor através e para pessoas». Esse princípio manifesta-se de forma concreta nos três pilares da abordagem do grupo. Na dimensão social; na vertente ambiental; e a governança.
O ano de 2021 marcou uma viragem. Os planos estratégicos de todas as empresas e marcas do grupo passaram a incluir objectivos, metas e indicadores ligados aos critérios ESG. A criação de um Comité de Sustentabilidade e a publicação do primeiro Relatório de Sustentabilidade são dois marcos dessa evolução.
A vertente social é talvez aquela em que a Wellow tem uma história mais longa. O grupo nasceu na área dos Recursos Humanos e, ao longo de mais de duas décadas, desenvolveu um trabalho significativo na integração de trabalhadores imigrantes. Tatiana Vale enquadra esse trabalho no contexto da escassez de mão-de-obra que tem afectado vários sectores da economia portuguesa, defendendo que o valor gerado é simultaneamente social e económico. O mesmo raciocínio aplica-se às iniciativas de bem-estar e desenvolvimento dos colaboradores, descritas como «investimentos que geram resultados concretos». Para o sustentar, aponta indicadores medidos regularmente (envolvimento, satisfação, retenção) e os sucessivos reconhecimentos do grupo como uma das melhores organizações para trabalhar em Portugal.
Questionada sobre os desafios que se avizinham, a CMO não minimiza a complexidade. O principal está na capacidade de manter uma visão ESG comum e transversal à medida que o grupo continua a diversificar a sua presença em sectores cada vez mais distintos — dos Recursos Humanos à Restauração, passando pela Energia ou pelos Seguros —, sem perder a especificidade de cada negócio. Actualmente, a Wellow avança para a certificação ISO 45001, que reforçará o comprometimento na área da Saúde e Segurança no Trabalho, somando-se às já existentes ISO 9001 e ISO 14001.
O objectivo final é, de acordo com Tatiana Vale, «construir um modelo de crescimento sustentável, capaz de gerar valor económico, social e ambiental de forma consistente e duradoura». Uma ambição que, no caso da Wellow, parte de uma convicção anterior a qualquer relatório ou certificação: a de que são as pessoas que fazem mover os negócios e não o contrário.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “ESG”, publicado na edição de Junho (n.º 243) da Executive Digest.













