A análise de Nuno Moreira da Cruz, Dean da Executive Education
Apesar da incerteza, as empresas portuguesas continuam a acreditar no futuro – esta creio ser a mensagem mais clara que sai deste Barómetro. Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, transformação tecnológica acelerada e volatilidade económica, seria expectável encontrar organizações mais defensivas e focadas na gestão do curto prazo e, no entanto, os resultados revelam precisamente o contrário: existe confiança, ambição de crescimento e vontade de investir.
É particularmente encorajador verificar que a Inteligência Artificial já está a gerar ganhos de produtividade para a maioria das empresas. Mais importante do que a dimensão desses ganhos é o facto de a transformação já ter começado, a questão deixou de ser se a IA terá impacto nos negócios e passou a ser quem conseguirá capturar mais rapidamente esse valor.
Os resultados mostram igualmente que as organizações continuam focadas na expansão dos seus mercados, na eficiência operacional e na inovação – sinais positivos de um tecido empresarial que compreende que competitividade não se constrói apenas reagindo às circunstâncias, mas antecipando-as.
Mas também me parece que o Barómetro deixa um alerta claro: muitos gestores continuam a manifestar reservas sobre a preparação do país para responder aos desafios estruturais da próxima década, em que talento, produtividade, burocracia, investimento e capacidade de execução permanecem temas centrais.
E aqui, na minha opinião, reside o verdadeiro desafio: transformar o atual otimismo empresarial numa agenda coletiva de competitividade. As empresas parecem prontas para investir, inovar e crescer. Cabe agora aos decisores públicos, às instituições e às lideranças empresariais garantir que Portugal cria as condições necessárias para transformar essa confiança em progresso sustentável, prosperidade e impacto para as próximas gerações.
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 243) da Executive Digest, no âmbito da XLVIII edição do seu Barómetro.














