A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
Os resultados do 48º Barómetro da Executive Digest revelam uma liderança nacional ciente dos desafios de competitividade e que exige pragmatismo. No campo da inovação, o impacto real da Inteligência Artificial (IA) na produtividade já é uma realidade tangível para a maioria das empresas após o primeiro semestre de 2026: 67% dos gestores registam ganhos de eficiência, embora a fatia maior (33%) ainda se situe numa fase incremental (ganhos até 5%). Isto demonstra que a IA deixou de ser um tema conceptual para se tornar uma ferramenta operacional ativa, com um enorme potencial de progressão. Contudo, este balanço contrasta com a forte preocupação macroeconómica. Apenas 6% dos inquiridos consideram “bom” ou “muito bom” o nível de preparação de Portugal para a próxima década, com uns expressivos 41% a classificá-lo como “insuficiente”. A mensagem é clara: para sustentar o crescimento, o ecossistema empresarial precisa de uma retaguarda estrutural sólida. Para inverter este cenário, os gestores apontam caminhos muito concretos para o Executivo. A desburocratização lidera as prioridades com 56%, seguida de perto pela urgência na diminuição da carga fiscal (42% no IRS e 28% no IRC) e pela celeridade da Justiça (31%). O recado do tecido empresarial está dado: menos asfixia fiscal, menos entraves administrativos e maior agilidade institucional são as reformas vitais para libertar o verdadeiro potencial produtivo do país.
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 243) da Executive Digest, no âmbito da XLVIII edição do seu Barómetro.













