A Rolls-Royce SMR foi selecionada pela sueca Videberg Kraft para desenvolver pequenos reatores modulares na Suécia, num acordo avaliado em vários milhares de milhões de libras. O ‘El Economista’ escreve que o contrato está a ser apresentado pelo Governo britânico como uma das maiores conquistas recentes de exportação da indústria nuclear do Reino Unido.
O acordo transforma a Rolls-Royce SMR em parceira tecnológica da Videberg Kraft para o programa nuclear sueco e reforça a posição da empresa num mercado europeu ainda em formação, mas considerado estratégico para a próxima geração de energia nuclear.
Os pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla SMR, são uma tecnologia pensada para acelerar a implantação da energia nuclear através de unidades mais pequenas, replicáveis e com prazos de construção potencialmente mais curtos do que os das centrais nucleares convencionais.
A escolha da Rolls-Royce surge depois de uma campanha de apoio do Governo britânico, que incluiu uma visita à Suécia do secretário dos Negócios, Peter Kyle, para promover a proposta da empresa. O Executivo de Keir Starmer vê o acordo como uma validação da sua estratégia industrial e da aposta na revitalização da cadeia de valor nuclear britânica.
Para a Suécia, o objetivo passa por reforçar a segurança energética e aumentar a capacidade de produção firme e de baixo carbono. O país procura responder a um contexto europeu marcado pela eletrificação da economia, pelo encerramento gradual de algumas centrais a combustíveis fósseis e pela necessidade de reduzir a dependência de combustíveis importados.
Para o Reino Unido, o contrato representa uma oportunidade de exportar uma tecnologia que também será usada no mercado interno. Em junho de 2025, a Rolls-Royce SMR foi escolhida pela Great British Energy-Nuclear como parceira tecnológica preferencial para o programa britânico de pequenos reatores modulares.
O primeiro projeto de SMR do Reino Unido deverá ser construído em Wylfa, no norte do País de Gales. Segundo o Governo britânico, o projeto poderá criar cerca de 3.000 empregos no pico da construção e milhares de outros ao longo da cadeia de fornecimento.
Keir Starmer classificou o acordo como “uma grande vitória para a economia britânica” e afirmou que permite ao país mostrar a sua capacidade de engenharia no plano internacional. O secretário da Energia, Ed Miliband, associou o contrato à estratégia de energia limpa do Governo e defendeu que o Reino Unido deve voltar a “fabricar e construir” em setores industriais estratégicos.
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, destacou que o acordo demonstra a capacidade das empresas britânicas para competir no mercado global das tecnologias limpas. Já Peter Kyle afirmou que a escolha da Rolls-Royce confirma o Reino Unido como um parceiro relevante para a próxima geração de energia nuclear.
Tufan Erginbilgic, presidente executivo da Rolls-Royce, afirmou que a empresa venceu todos os processos seletivos competitivos para pequenos reatores modulares realizados na Europa. Segundo o responsável, o sucesso na Suécia confirma o impulso comercial da tecnologia e reforça a posição da Rolls-Royce SMR como a única empresa com múltiplos compromissos contratuais para fornecer unidades SMR no continente europeu.
O Governo britânico estima que o mercado global de pequenos reatores modulares possa atingir quase 500 mil milhões de libras, cerca de 585 mil milhões de euros, até 2050. Nesse contexto, o acordo sueco é mais do que um contrato isolado: é um teste à ambição do Reino Unido de transformar a sua tecnologia nuclear numa plataforma de exportação.
A aposta chega num momento em que vários países europeus reavaliam o papel da energia nuclear na transição energética. Entre a necessidade de eletricidade estável, a pressão para reduzir emissões e a procura por menor dependência energética externa, os pequenos reatores modulares começam a surgir como uma das tecnologias que podem disputar espaço na nova arquitetura energética europeia.







