A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) disse hoje à Lusa que o setor turístico no rio corre “risco sério de perda de competitividade”, sobretudo devido a “falhas de decisão, governação” e planeamento.
“Há um risco sério de perda de competitividade, e esse risco resulta diretamente de falhas de decisão e de governação. (…) Enquanto o Douro continuar a ser tratado como prioridade secundária, o país estará a desperdiçar um ativo estratégico”, considerou à Lusa Hugo Bastos, membro da direção da associação.
Hugo Bastos disse que o maior risco atual “é político e institucional”, pela falta de previsibilidade de quem investe, por falta de planeamento e responsabilidade superior, a começar pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).
“O principal entrave ao Douro não é técnico, é político e de governação. Há falta de planeamento, decisões tardias e uma ausência clara de responsabilidade na coordenação das entidades. O setor tem alertado há anos para problemas que continuam por resolver”, apontou.
Para o comandante, que integra a direção da AAMTD, não há falta de procura, mas “falta de condições para operar com previsibilidade” num mercado que atraiu 1,39 milhões de passageiros em 2025, com impacto económico estimado entre 350 e 450 milhões de euros.
“Continua a ser gerido sem visão estratégica e com decisões reativas. Se este modelo se mantiver, o setor vai inevitavelmente perder atratividade face a outros destinos europeus mais organizados”, lamentou.
A associação estima em perto de oito mil postos de trabalho criados pela operação turística no rio, e esse emprego pode “começar a degradar-se” se o setor perder “confiança e estabilidade”, mesmo que essa redução de trabalhos possa ser “silenciosa no início”, tornando-se “estrutural a médio prazo”.
Mesmo salientando que a associação está “a ser um bocadinho melhor ouvida” pelas autoridades, do Governo à APDL, alertou que “muitas vezes o desafio está na tomada de decisão, na capacidade técnica e na velocidade da tomada de decisão”.
Dando vários exemplos de falta de decisão, de medidas a serem implementadas nas embarcações à alimentação elétrica dos barcos, Hugo Bastos disse que “quem gere a via tem de acompanhar e prever o crescimento” do setor, mostrando-se disponível para a solução.
“Tem de haver uma integração real entre a APDL e os produtores de energia elétrica. Isso é fácil de perceber. (…) Tem de haver informação operacional em tempo real, é outra que também é muito fácil. (…) Tem de ser dada prioridade à segurança da navegação. (…) Tem de haver planeamento de quem já navegava. Até 2015, a Via Navegável não era da APDL, havia uma entidade do Estado”, sugeriu.
Assim, a AAMTD pede “mais estratégia, mais investimento, mais previsibilidade nas alterações legislativas” que ainda vão entrar em vigor, para uma via navegável que, ao nível da APDL, tem de ser entendida como “uma área de negócio importante”, integrada num corredor atlântico, pedindo mais do que “uma quarta linha de decisão” da administração.
“O que não é sentido é um acompanhamento nas respostas. Um exemplo: em muitos cais não há possibilidade de abastecer água. Há operadores, nas últimas semanas, que tiveram de abastecer com autotanques dos bombeiros. Porquê? Por falta de planeamento, estratégia, capacidade, porque os navios estão cá e estão”, acrescentou.
Fundada em 2018, e atualmente presidida por Mário Ferreira, a AAMTD representa 33 operadores do turismo fluvial na Via Navegável do Douro, entre navios-hotéis, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local e tem como missão defender os interesses do setor.








