15 concelhos em risco máximo de incêndio: MAI alerta que tomará “decisões drásticas” se for preciso

O Ministro da Administração Interna Luís Neves, deixou esta quinta-feira um forte aviso à população perante o agravamento das condições meteorológicas e do perigo de incêndio rural em Portugal, admitindo mesmo a possibilidade de serem tomadas “decisões drásticas” caso a situação o exija.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Ministro da Administração Interna Luís Neves, deixou esta quinta-feira um forte aviso à população perante o agravamento das condições meteorológicas e do perigo de incêndio rural em Portugal, admitindo mesmo a possibilidade de serem tomadas “decisões drásticas” caso a situação o exija. O responsável apelou à suspensão de atividades de risco, nomeadamente queimas e queimadas, numa altura em que o país se prepara para enfrentar temperaturas que poderão atingir os 40 graus em várias regiões durante os próximos dias.

Durante uma declaração feita ao final da manhã, Luís Neves dirigiu-se diretamente aos cidadãos e aos autarcas, alertando para os riscos associados à realização de atividades que envolvam fogo, incluindo queimadas e uso de engenhos pirotécnicos, bem como pediu que se evite o uso de máquinas agrícolas nos dias de maior calor. Referindo-se às tradicionais festividades de São João, previstas em 23 concelhos, reconheceu que a utilização de fogo faz parte dos costumes locais de lançamento de balões, mas deixou um apelo claro para que essas práticas sejam evitadas. “O que dizemos aos cidadãos e aos autarcas é que não utilizem estes instrumentos. Estão a pôr em causa a vida das pessoas”, afirmou.

O comandante nacional destacou ainda que a negligência continua a ser uma das principais causas dos incêndios rurais em Portugal. Segundo os dados apresentados, dois terços das detenções efetuadas este ano por crimes relacionados com incêndios dizem respeito a comportamentos negligentes. Luís Neves recordou também que, em 2025, foram detidas 155 pessoas por este tipo de infrações. Apesar de considerar que a área ardida registada até ao momento, cerca de 12 mil hectares, se encontra dentro da média habitual para esta altura do ano, sublinhou que o contexto meteorológico previsto para os próximos dias exige um reforço da prevenção e da vigilância.

Apelo a contacto às autoridades caso cidadãos observem comportamentos de risco
“É tempo de todos agirmos”, afirmou, apelando à limpeza dos terrenos ainda passíveis de intervenção e à colaboração da população na identificação de comportamentos de risco, como os referidos durante a intervenção. O responsável incentivou os cidadãos a alertarem e entrarem em contacto com as autoridades sempre que observem pessoas a adotar práticas potencialmente perigosas em zonas florestais ou rurais. “Aquele cidadão que vir outro a ter um comportamento que não deve ter, deve interagir, inviabilizar que o comportamento seja tido, e sobretudo deve informar as autoridades”, declarou. Segundo Luís Neves, a prevenção e a rápida comunicação de situações suspeitas poderão ser determinantes para evitar novos incêndios.

O alerta surge numa altura em que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê um agravamento significativo do perigo de incêndio rural a partir de sexta-feira. Esta quinta-feira, 15 concelhos dos distritos de Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Setúbal, Beja e Faro encontram-se já em perigo máximo de incêndio. Entre eles estão Sertã, Vila de Rei, Vila Velha de Ródão, Sardoal, Mação, Gavião, Santiago do Cacém, Serpa, Mértola, Castro Verde, Almodôvar, Alcoutim, Loulé, Tavira e São Brás de Alportel.

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As previsões meteorológicas apontam para uma subida acentuada das temperaturas durante o fim de semana, com especial incidência na Beira Interior, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. O IPMA admite a possibilidade de serem registados valores próximos dos 40 graus em algumas regiões do continente, enquanto as temperaturas mínimas poderão manter-se acima dos 20 graus em diversos locais, aumentando o risco de incêndio e dificultando o arrefecimento noturno.

Embora o instituto sublinhe que continua a existir alguma incerteza relativamente à intensidade, distribuição geográfica e duração deste episódio de calor, os vários modelos meteorológicos convergem na indicação de condições particularmente favoráveis à propagação de incêndios.

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