Portugal está entre os dez países do mundo onde a diferença de custos entre conduzir um carro elétrico e um híbrido a gasolina é mais favorável aos condutores de veículos elétricos. Uma análise internacional da Compare the Market conclui que, em território nacional, percorrer 100 quilómetros num elétrico custa, em média, 3,42 euros, contra 8,98 euros num híbrido a gasolina.
A diferença traduz-se numa poupança de 5,56 euros por cada 100 quilómetros para os automobilistas portugueses. Este resultado coloca Portugal no 10.º lugar mundial entre os países com maior vantagem financeira para quem conduz um veículo elétrico a bateria, face a um automóvel híbrido com motor de combustão interna.
O ranking é liderado por Hong Kong, onde a diferença entre as duas tecnologias chega aos 13,31 euros por cada 100 quilómetros. Seguem-se Islândia, com uma poupança de 8,85 euros, Noruega, com 7,04 euros, Finlândia, com 6,34 euros, Sérvia, com 6,27 euros, e Hungria, com 6,25 euros.
Portugal surge depois de Singapura, Países Baixos e Grécia, mas à frente de várias economias europeias onde a eletrificação tem avançado de forma mais lenta ou onde os custos de carregamento e combustível tornam a diferença menos expressiva. O dado é particularmente relevante num contexto em que muitos consumidores ainda ponderam o preço de compra, a autonomia e a rede de carregamento antes de aderirem à mobilidade elétrica.
A análise mostra que Portugal se destaca não por ter necessariamente a eletricidade mais barata do mundo, mas pela diferença entre o custo de carregar um elétrico e o custo de abastecer um híbrido a gasolina. Essa diferença é suficiente para colocar o país no grupo dos mercados onde a utilização diária de um elétrico pode ter maior impacto no orçamento dos condutores.
Os dados surgem numa altura em que a quota dos elétricos no mercado português continua a crescer. Segundo números da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, os veículos totalmente elétricos representaram 23,2% das novas matrículas em Portugal em 2025, acima dos 19,9% registados em 2024 e claramente acima da média da União Europeia, situada nos 17,4%.
A evolução portuguesa contrasta com a de outros países do sul e leste da Europa, onde a adesão aos elétricos permanece bastante mais baixa. Em Espanha, os veículos totalmente elétricos representaram 8,8% do mercado em 2025, enquanto Itália ficou nos 6,2%, Polónia nos 7,2% e Chéquia e Roménia nos 5,6%.
O mercado nacional também se afastou dos combustíveis tradicionais ao longo do último ano. Os automóveis a gasolina caíram para 24,5% das novas vendas, depois de terem representado 33,9% em 2024. Já os híbridos convencionais subiram para 22,3%, face aos 16,7% do ano anterior.
Com esta dinâmica, os elétricos ficaram praticamente ao nível dos modelos a gasolina e ultrapassaram os híbridos convencionais em popularidade. A poupança por quilómetro ajuda a explicar esta mudança, sobretudo para condutores que fazem muitos quilómetros ou que conseguem carregar regularmente em casa.
Ainda assim, a transição continua dependente de vários fatores. A rede pública de carregamento na Europa cresceu 35% e ultrapassou a marca de um milhão de pontos, mas a densidade, a disponibilidade e a visibilidade da infraestrutura terão de acompanhar o aumento do número de veículos elétricos nas estradas.
A ‘Compare the Market’ sublinha que carregar em casa tende a ser mais barato do que recorrer a postos rápidos públicos. Os especialistas recomendam comparar tarifários de eletricidade, aproveitar períodos de menor custo, usar carregadores com modos de gestão inteligente e, quando possível, tirar partido da produção solar doméstica.
Para Portugal, o sinal é claro: o argumento económico está a tornar-se cada vez mais relevante na decisão de compra. Num país onde os elétricos já representam quase um quarto do mercado de novos automóveis, entrar no top 10 mundial de poupança por utilização reforça a ideia de que a transição não depende apenas de incentivos ambientais, mas também de contas simples ao fim de cada 100 quilómetros.













