À medida que as temperaturas elevadas se tornam cada vez mais frequentes em grande parte da Europa, cresce também a procura pelas chamadas ‘coolcations’, férias em destinos mais frescos, capazes de oferecer uma alternativa às ondas de calor que têm marcado os últimos verões. Neste contexto, uma nova classificação elaborada pela aplicação de viagens Polarsteps identificou os melhores países europeus para quem pretende fugir às temperaturas extremas durante o verão de 2026.
O primeiro Summer Heat Escape Index, lançado pela plataforma, analisou 25 países europeus e avaliou não apenas as temperaturas médias, mas também outros fatores que influenciam o conforto dos viajantes durante os meses mais quentes. O estudo surge numa altura em que o interesse por destinos mais frescos continua a aumentar. Um inquérito realizado pela Polarsteps em abril deste ano concluiu que 35% dos viajantes britânicos escolheram um destino mais frio para as férias de verão de 2026, sendo que mais de um em cada cinco tomou essa decisão pela primeira vez.
Ao contrário de rankings tradicionais baseados apenas na temperatura do ar, o índice combinou seis critérios distintos: temperaturas médias diurnas em agosto, temperaturas médias noturnas no mesmo mês, temperatura média da água do mar, cobertura florestal, densidade populacional e possibilidade de campismo selvagem. Cada variável foi normalizada para gerar uma pontuação final numa escala de 0 a 100.
Para construir o índice, a Polarsteps recorreu a dados climáticos históricos entre 1991 e 2021 provenientes das plataformas Meteostat e EN Climate Data. Já os dados relativos à temperatura da água do mar tiveram como base observações recolhidas ao longo da última década.
Islândia ocupa o primeiro lugar
A liderança da classificação pertence à Islândia, que alcançou uma pontuação de 83,81 em 100. O país destaca-se pelas temperaturas particularmente baixas mesmo durante o pico do verão europeu. Em agosto, as temperaturas máximas médias rondam apenas os 10,7 graus Celsius, enquanto as mínimas noturnas se situam perto dos 8,1 graus.
Além disso, a Islândia apresenta uma das menores densidades populacionais da Europa, permite o campismo selvagem em várias áreas e oferece algumas das águas mais frias para banhos marítimos. Em Akureyri, no norte do país, a temperatura média da água ronda os 9,5 graus Celsius durante agosto.
Finlândia e Noruega completam o pódio
A Finlândia surge na segunda posição, beneficiando sobretudo da sua enorme riqueza natural. Cerca de três quartos do território finlandês são cobertos por floresta, enquanto as temperaturas médias de agosto rondam os confortáveis 17 graus Celsius, condições consideradas ideais para caminhadas e atividades ao ar livre.
A Noruega ocupa o terceiro lugar da classificação. Além das temperaturas moderadas durante o verão, o país escandinavo destaca-se pelas águas extremamente frias. Em Ny-Ålesund, no arquipélago de Svalbard, a temperatura média da água em agosto é de apenas 5,3 graus Celsius. A vasta natureza selvagem e a possibilidade de campismo em muitas zonas reforçam igualmente a atratividade do destino.
Países bálticos ganham destaque
A Suécia aparece na quarta posição, com temperaturas médias de cerca de 17 graus Celsius em agosto. O país beneficia também da chamada Allemansrätten, a tradicional lei sueca que garante aos cidadãos e visitantes um amplo direito de acesso à natureza.
Uma das conclusões mais interessantes do estudo é a forte presença dos países bálticos na classificação. Estónia, Letónia e Lituânia figuram entre os dez melhores destinos europeus para escapar ao calor, demonstrando que a região está a emergir como alternativa para viajantes que procuram temperaturas mais agradáveis sem necessidade de viajar tão para norte quanto a Escandinávia.
Portugal destaca-se pelas águas frias do Atlântico
Embora Portugal não figure entre os dez primeiros classificados do índice, a Polarsteps destaca a costa atlântica portuguesa como uma opção interessante para quem procura combinar temperaturas quentes com oportunidades de arrefecimento.
Graças à influência das correntes atlânticas, algumas zonas costeiras apresentam temperaturas da água significativamente mais baixas do que outros destinos do sul da Europa. Entre os exemplos referidos encontra-se Viana do Castelo, onde a temperatura média do mar ronda os 16,6 graus Celsius, valor semelhante ao registado em algumas áreas da costa atlântica de Espanha.
Segundo a aplicação de viagens, estas características tornam a fachada atlântica europeia particularmente apelativa para turistas que desejam desfrutar do verão sem enfrentar temperaturas excessivamente elevadas.
Os 10 melhores destinos europeus para fugir ao calor em 2026
De acordo com o Summer Heat Escape Index, os dez países europeus mais indicados para escapar ao calor este verão são:
- Islândia — 83,81 pontos
- Finlândia — 77,02 pontos
- Noruega — 76,06 pontos
- Suécia — 75,14 pontos
- Estónia — 72,18 pontos
- Letónia — 68,37 pontos
- Lituânia — 65,27 pontos
- Suíça — 60,10 pontos
- Irlanda — 54,44 pontos
- Reino Unido — 50,74 pontos
Com as previsões meteorológicas a apontarem para mais um verão quente em grande parte da Europa, os destinos do norte do continente continuam a afirmar-se como uma alternativa cada vez mais procurada por quem prefere temperaturas amenas, contacto com a natureza e uma pausa das ondas de calor que se tornaram frequentes nos últimos anos.









