A SpaceX angariou 85,7 mil milhões de dólares, cerca de 74,3 mil milhões de euros, na sua entrada em bolsa, depois de os bancos responsáveis pela operação terem vendido ações adicionais reservadas para responder à forte procura dos investidores, indicou a revista ‘Forbes’.
A empresa de Elon Musk anunciou esta segunda-feira que os intermediários financeiros envolvidos no IPO, incluindo Goldman Sachs e Morgan Stanley, compraram mais 83,3 milhões de ações da SpaceX, elevando o montante total arrecadado para 85,7 mil milhões de dólares.
A operação reforça o estatuto da estreia em bolsa da SpaceX como a maior oferta pública inicial da história, superando largamente os anteriores máximos da Saudi Aramco e da Alibaba.
Ações continuam a subir após estreia
As ações da SpaceX, que negoceiam sob o símbolo “SPCX”, voltaram a subir esta segunda-feira, avançando 7,5% na primeira sessão completa em Wall Street, depois de já terem disparado 19% na estreia da semana passada.
A empresa entrou em bolsa com um preço de referência de 135 dólares por ação, cerca de 117 euros. Na estreia, os títulos subiram 11%, para 150 dólares, cerca de 130 euros, colocando o valor de mercado da SpaceX em 1,96 biliões de dólares, aproximadamente 1,69 biliões de euros.
A procura já tinha superado largamente a oferta antes da estreia, com investidores institucionais e particulares a comprarem 555,6 milhões de ações ao preço definido para o IPO. A forte procura levou agora os bancos a acionar a venda de ações adicionais.
Foguetões, satélites e inteligência artificial
A entrada em bolsa da SpaceX surge num momento em que a empresa combina várias frentes de crescimento: lançamento de foguetões, comunicações por satélite através da Starlink, defesa, conectividade e uma aposta crescente em inteligência artificial.
A empresa tornou-se dominante no setor aeroespacial com os lançamentos reutilizáveis do Falcon 9 e com a expansão da constelação Starlink, que transformou a internet por satélite num dos principais motores de receita.
Mas a ambição de Elon Musk vai muito além do negócio atual. O empresário afirmou que a entrada em bolsa serve para financiar planos que incluem colocar satélites e centros de dados no espaço e, a longo prazo, estabelecer uma colónia humana em Marte.
Segundo os dados divulgados no âmbito da operação, a SpaceX registou receitas de 18,7 mil milhões de dólares em 2025, cerca de 16,2 mil milhões de euros, mas continua a apresentar prejuízos elevados. Entre o início de 2025 e 31 de março de 2026, a empresa perdeu 8,7 mil milhões de dólares, aproximadamente 7,5 mil milhões de euros.
Musk mantém controlo da empresa
Apesar da abertura ao mercado, Elon Musk mantém o controlo da SpaceX. A estrutura acionista garante ao fundador, presidente executivo, diretor de tecnologia e presidente do conselho de administração 82,4% do poder de voto da empresa cotada.
A valorização da SpaceX também reforça a fortuna pessoal de Musk. De acordo com dados da Bloomberg, o empresário terá agora uma fortuna estimada em 1,1 biliões de dólares, cerca de 950 mil milhões de euros.
A entrada em bolsa da SpaceX chega num período em que outras empresas tecnológicas ligadas à inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, também são apontadas como potenciais candidatas a IPO. Para Wall Street, a operação funciona como teste ao apetite dos investidores por empresas de crescimento agressivo, avaliações muito elevadas e exposição a setores estratégicos.
A SpaceX estreia-se assim no mercado como uma das empresas mais valiosas do mundo e com uma promessa difícil de medir: transformar receitas de foguetões e satélites em capital suficiente para financiar centros de dados orbitais, inteligência artificial e a ambição de levar humanos a Marte.








