Israel espera fechar novos contratos com países europeus para o fornecimento de sistemas de defesa aérea e antimíssil nas próximas semanas, numa altura em que várias nações do continente procuram reforçar as suas capacidades de proteção perante a perceção de uma crescente ameaça proveniente da Rússia. A expectativa foi revelada por um alto responsável do Ministério da Defesa israelita durante a feira aeronáutica realizada em Berlim.
Segundo Moshe Patel, diretor-geral da Organização de Defesa Antimíssil de Israel, o interesse europeu por este tipo de equipamentos continua a aumentar, impulsionado sobretudo pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia e pelos receios de segurança que persistem em vários países ocidentais.
“Há um enorme interesse da Europa, da Europa Ocidental”, afirmou Patel à Reuters, recusando, contudo, identificar quais os países atualmente envolvidos nas negociações.
O responsável explicou que a procura incide sobre diferentes sistemas desenvolvidos por Israel, concebidos para responder a ameaças que vão desde mísseis balísticos de alcance intermédio até foguetes e projéteis de curto alcance. Entre os equipamentos mais procurados encontra-se o sistema Arrow, desenvolvido pela estatal israelita Israel Aerospace Industries em cooperação com a Agência de Defesa Antimíssil dos Estados Unidos.
Este sistema foi concebido para intercetar mísseis balísticos de alcance intermédio, incluindo ameaças semelhantes ao míssil russo Oreshnik. A Alemanha já adquiriu esta tecnologia no âmbito do seu reforço estratégico das capacidades de defesa aérea.
Outro sistema que tem despertado interesse é o David’s Sling, destinado à interceção de mísseis balísticos disparados a distâncias entre os 100 e os 200 quilómetros. A Finlândia já avançou para a sua aquisição, numa decisão enquadrada pelo reforço das medidas de dissuasão perante potenciais riscos de agressão russa. Moscovo, por sua vez, continua a negar qualquer intenção de adotar uma postura agressiva contra países europeus.
Para Moshe Patel, o principal motor desta procura continua a ser o conflito no Leste europeu. “É sobretudo impulsionado pelo que está a acontecer entre a Rússia e a Ucrânia”, afirmou. O responsável acrescentou que os países europeus observam igualmente a evolução da situação no Médio Oriente. “Estão também a analisar cuidadosamente o que acontece no Irão e aquilo que é eficaz contra a Rússia pode ser eficaz contra o Irão. Seja qual for a ameaça, estes sistemas podem responder a esse tipo de desafios”, referiu.
Além dos sistemas de maior alcance, Israel verifica igualmente um interesse crescente no Iron Dome, o conhecido escudo antimíssil utilizado para neutralizar ameaças de curto alcance. Patel considera que esta solução oferece vantagens particularmente relevantes para países que enfrentam riscos junto às suas fronteiras.
“É uma enorme vantagem para as nações que têm inimigos mesmo junto às suas fronteiras. Esta é a principal capacidade: a possibilidade de proteger uma cidade ou uma área estratégica”, destacou.
Questionado sobre o calendário previsto para novos contratos, o responsável israelita revelou que um acordo poderá ser formalizado já nas próximas semanas. “Esperamos que um contrato seja concluído dentro de algumas semanas”, afirmou.
Patel adiantou ainda que as negociações em curso poderão resultar em mais anúncios até ao final do ano. “Existem discussões que poderão levar a que, até ao final do ano, venhamos a ouvir falar de mais países. Parece que os processos de decisão dessas nações estão a ser acelerados”, explicou.
Embora tenha evitado revelar os valores financeiros envolvidos, o diretor-geral da Organização de Defesa Antimíssil de Israel deixou claro que as negociações dizem respeito a contratos de grande dimensão. “Não estamos a falar de números pequenos”, concluiu.













