Cunhado de Leitão Amaro suspeito de integrar cartel ligado a concursos dos fogos

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Judiciária, um grupo de empresas ligadas ao aluguer de helicópteros terá conseguido, nos últimos anos, condicionar concursos públicos

Revista de Imprensa

As suspeitas sobre o chamado ‘Cartel dos Fogos’ centram-se no acesso a informação privilegiada e na alegada manipulação de concursos públicos para o aluguer de helicópteros usados no combate aos incêndios, avança o ‘Correio da Manhã’ esta sexta-feira. Entre os nomes envolvidos está o empresário Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, já constituído arguido no processo.

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Judiciária, um grupo de empresas ligadas ao aluguer de helicópteros terá conseguido, nos últimos anos, condicionar concursos públicos de forma a aumentar os valores pagos pelo Estado pelas aeronaves destinadas ao combate aos fogos.

Concursos desertos e ajustes diretos sob suspeita

Um dos esquemas investigados passaria por deixar concursos públicos desertos, ou seja, sem propostas, obrigando depois o Estado, através da Força Aérea, a recorrer ao ajuste direto por falta de meios disponíveis para a época de incêndios.

Ricardo Leitão Machado é suspeito de ter participado neste esquema em articulação com a Heliportugal, do empresário Pedro Silveira, simulando concorrência quando, segundo a investigação, essa concorrência não existiria de facto.

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O processo envolve ainda a relação entre empresas do empresário. A Helifly e a Gestifly, ligadas a Ricardo Leitão Machado, partilhavam com a Heliportugal o mesmo representante legal, Luís Ferreira, que também terá sido constituído arguido.

Informação privilegiada através da ANAC

O cunhado de Leitão Amaro é também suspeito de ter obtido informação privilegiada sobre os concursos através de Fernando Lourenço, tenente-coronel na reserva a prestar serviço na Autoridade Nacional da Aviação Civil.

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O ‘Correio da Manhã’ recorda que, em maio, após buscas à casa de Ricardo Leitão Machado, a Polícia Judiciária confirmou estar a investigar crimes de burla qualificada, corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa, num processo em que está em causa a alegada manipulação de concursos públicos para o combate aos incêndios.

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