Há carros que nascem para vencer corridas, outros para bater recordes de autonomia e outros para provar que a estrada ainda tem espaço para ideias completamente improváveis. O de Andrew Glubbey pertence ao terceiro grupo: é um ciclomotor transformado numa pera gigante sobre rodas, construído para atravessar os Estados Unidos de costa a costa.
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Glubbey, escultor de Merritt Island, na Florida, decidiu levar a sua paixão pela fruta para a estrada. A base é uma Genuine Hooligan de 170 cc, mas quase nada no resultado final parece convencional. À volta do ciclomotor, o artista construiu uma estrutura em forma de pera com ripas de madeira e latas de alumínio, criando uma escultura rolante que tanto parece uma instalação artística como uma piada levada demasiado a sério.
A viagem começou na Florida e tem como destino o noroeste do Pacífico. Pelo caminho, o objetivo é atravessar milhares de quilómetros, parar em cidades diferentes e transformar cada etapa num pequeno espetáculo de rua. A pera não é apenas decorativa: a estrutura também serve para arrumação, dispensando malas laterais ou outros acessórios exteriores.
Uma pera contra o preço da gasolina
Por trás da imagem absurda há uma razão bastante prática. Glubbey já tinha feito viagens longas em veículos artísticos, incluindo uma carrinha personalizada, mas os custos de combustível levaram-no a procurar uma solução mais eficiente. A resposta foi trocar a escala de um automóvel por um ciclomotor e usar a forma de pera como assinatura visual.
O resultado é uma máquina lenta, estranha e difícil de ignorar. A velocidade máxima ronda os 88 km/h, suficiente para avançar com calma entre cidades, mas longe de qualquer ideia de viagem rápida. Essa lentidão, contudo, faz parte da experiência. Glubbey não está a tentar chegar primeiro; está a tentar ser visto, provocar sorrisos e transformar a estrada numa galeria em movimento.
A escolha da pera também não é acidental. O escultor já tinha trabalhado esta forma noutras obras e considera-a visualmente feliz, quase cómica. No ciclomotor, a silhueta encaixou com espaço suficiente para manter a condução possível e ainda criar uma espécie de casulo artístico à volta da máquina.
O veículo mais simpático da estrada
Uma das surpresas da viagem tem sido a reação das pessoas. Glubbey já conduziu outros veículos invulgares e nem sempre recebeu respostas positivas. Desta vez, segundo contou, a pera tem provocado buzinas amigáveis, sinais de aprovação e curiosidade.
Essa talvez seja a parte mais interessante da história. Num mundo automóvel cada vez mais dominado por potência, ecrãs, software, autonomia e carregamentos rápidos, uma pera motorizada consegue chamar a atenção por uma razão quase infantil: é divertida. Não promete eficiência revolucionária, não antecipa o futuro da mobilidade e não quer convencer ninguém de que é a próxima grande tendência.
Ainda assim, diz alguma coisa sobre a cultura automóvel. A estrada nunca foi apenas transporte. Também foi liberdade, exposição, excentricidade e desejo de fazer parte da paisagem. Glubbey levou essa ideia ao literal: fez de uma escultura um veículo e de um veículo uma conversa ambulante.
O automóvel como objeto de imaginação
A história também mostra como a mobilidade pode continuar a ser um território de criatividade, mesmo quando a indústria se torna cada vez mais racional. Enquanto marcas discutem plataformas, baterias, margens e software, um artista decidiu resolver o problema da gasolina cara com madeira, latas de alumínio e uma pera gigante.
Não é uma solução para o mercado, nem tem de ser. É uma peça visual, uma experiência e, acima de tudo, uma forma de lembrar que os veículos mais memoráveis nem sempre são os mais rápidos, caros ou sofisticados.
Andrew Glubbey não está apenas a atravessar os Estados Unidos. Está a fazê-lo dentro de uma pera motorizada, a menos de 90 km/h, enquanto transforma cada paragem numa pequena cena de espanto. E talvez seja precisamente por isso que esta seja uma das histórias automóveis mais improváveis do ano.
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