A diretora-geral adjunta das alfândegas de Moçambique, Ludovina de Manuel, defendeu respostas mais coordenadas e eficazes contra o tráfico internacional de espécies selvagens, pelo “desafio significativo” que o crime representa.
Citada numa informação divulgada hoje pela Autoridade Tributária (AT) moçambicana, a responsável pede a integração de perfis de risco específicos nos sistemas de gestão aduaneira para reforçar a capacidade de “deteção, prevenção e combate ao comércio ilegal de vida selvagem”.
A posição foi assumida no âmbito do Workshop Multirregional sobre Comércio Ilegal de Vida Selvagem, que decorre desde segunda-feira, em Maputo, com representantes de várias administrações aduaneiras africanas e pretende “reforçar a cooperação e capacitação no combate aos crimes contra a fauna bravia”.
A responsável destacou que o tráfico internacional de espécies selvagens “continua a representar um desafio significativo para as administrações aduaneiras, exigindo respostas cada vez mais coordenadas e eficazes”, lê-se na informação da AT.
Segundo Ludovina de Manuel, entre 2014 e 2018 as alfândegas de Moçambique registaram cerca de 61 apreensões de produtos provenientes da fauna bravia, 60% das quais no Aeroporto Internacional de Maputo.
O workshop, que termina hoje, contou com representantes aduaneiros da República do Congo, Nigéria, Tanzânia, Quénia, Angola, Zimbábue e Zâmbia, sendo considerada uma plataforma importante de partilha de experiências, reforço de capacidade e consolidação da cooperação regional no combate ao comércio ilegal de vida selvagem.
A Lusa noticiou que Moçambique é apontando como um dos principais países de origem de pangolins comercializados ilegalmente na China e Vietname, uma lista que inclui outras nove nações africanas, segundo relatório da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES, na sigla em inglês).
“Os supostos países de origem [dos animais] incluíram nove nações africanas, nomeadamente Camarões, República Democrática do Congo, Etiópia, Guiné Equatorial, Gana, Maláui, Moçambique, Nigéria e África do Sul, representando um total estimado de 42.527 pangolins em 25 incidentes, ou seja, 97% de todos os pangolins apreendidos na China”, lê-se no relatório “Estado de Conservação, Comércio e Esforços de Fiscalização para Pangolins”, da Convenção da CITES.
O tráfico de marfim é outro dos problemas reportados regularmente em Moçambique, com destino a países asiáticos.












