Cashback ou armadilha? Cartões de fidelização podem transformar descontos em dívida

DECO PROteste alerta que estes produtos, comuns em supermercados, lojas de eletrónica, mobiliário, combustíveis, clubes desportivos e grandes superfícies, exigem atenção redobrada antes da adesão

Executive Digest com DECO PROTeste

Os cartões de fidelização com crédito prometem descontos imediatos, pontos, cashback e campanhas exclusivas, mas podem transformar pequenas compras em dívida difícil de controlar. A DECO PROteste alerta que estes produtos, comuns em supermercados, lojas de eletrónica, mobiliário, combustíveis, clubes desportivos e grandes superfícies, exigem atenção redobrada antes da adesão.

Na prática, estes cartões juntam duas funções. Por um lado, funcionam como programa de fidelização, permitindo acumular descontos, pontos ou devolução de parte do valor gasto. Por outro, podem funcionar como cartão de crédito, permitindo pagar compras mais tarde ou em prestações.

É precisamente essa segunda vertente que pode tornar o produto arriscado. O desconto imediato ou o cashback podem criar a sensação de poupança, mas, se o consumidor não pagar o extrato na totalidade, entram em ação juros elevados que podem anular rapidamente qualquer vantagem.

Quando o desconto esconde juros elevados

O principal risco está nas taxas aplicadas quando o cartão é usado como crédito. Em alguns casos, o desconto anunciado pode ser de apenas 1%, enquanto a taxa anual de encargos efetiva global pode chegar a cerca de 19%.

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Isto significa que o consumidor pode acabar por pagar muito mais em juros do que aquilo que recebeu em desconto, pontos ou cashback. A facilidade de pagamento em prestações torna-se, nesse caso, uma porta de entrada para endividamento.

A DECO PROteste lembra que este tipo de financiamento tem um peso relevante no incumprimento associado ao crédito ao consumo. Num contexto de pressão sobre os orçamentos familiares, o risco aumenta quando os consumidores acumulam cartões e recorrem ao crédito para despesas do dia a dia.

Descontos que só aparecem se usar crédito

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Outro ponto sensível está nas condições de alguns cartões. Há produtos que só atribuem determinadas vantagens se o cliente não pagar a totalidade do extrato e optar por pagamento fracionado.

Na prática, o consumidor recebe um desconto ou benefício, mas fica sujeito ao pagamento de juros. Esta combinação pode criar uma falsa sensação de poupança, sobretudo quando as condições não são lidas com atenção.

Por isso, antes de aderir, é essencial perceber se os descontos dependem apenas da utilização do cartão como fidelização ou se obrigam a recorrer à vertente de crédito.

Vários cartões podem prejudicar futuros empréstimos

Acumular cartões de fidelização com crédito também pode ter impacto fora das compras do dia a dia. Mesmo que o consumidor não utilize todos os limites disponíveis, esses montantes podem contar como risco potencial e ficar registados na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

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Quando alguém pede um crédito à habitação, automóvel ou pessoal, os bancos analisam todos os créditos disponíveis, incluindo limites de cartões que não estão a ser usados. No limite, ter vários cartões pode reduzir a capacidade de endividamento reconhecida pelo banco e dificultar a aprovação de um novo empréstimo.

A recomendação é simples: não acumular cartões desnecessários e manter apenas aqueles que são realmente úteis e controláveis.

O que verificar antes de aderir

Antes de aceitar um cartão de fidelização com crédito, o consumidor deve confirmar a taxa anual de encargos efetiva global, a taxa anual nominal, comissões, regras de cashback, validade dos pontos, condições para obter descontos e regras de cancelamento.

Também deve perceber se há anuidade. Muitos cartões não cobram anuidade ao primeiro titular, o que torna a adesão mais apelativa, mas há exceções, nomeadamente em cartões associados a companhias aéreas.

O facto de um cartão não ter anuidade não significa, por si só, que seja gratuito. Se for usado como crédito e o pagamento não for feito na totalidade, os juros podem tornar-se o verdadeiro custo do produto.

A regra principal: pagar sempre tudo

A forma mais segura de usar estes cartões é pagar sempre o extrato na totalidade. Assim, o consumidor evita juros, mantém os benefícios reais do cartão e reduz o risco de acumular dívida.

Os cartões podem ser úteis para quem tem disciplina financeira, conhece bem as condições e usa apenas a componente de fidelização ou crédito sem custos. Mas tornam-se perigosos quando são usados para adiar pagamentos sem uma estratégia clara.

A DECO PROteste analisou 20 cartões de fidelização de âmbito nacional, compilando dados sobre anuidade, TAEG e vantagens associadas à utilização como cartão de crédito. A conclusão é que os benefícios existem, mas só compensam se o consumidor evitar cair na armadilha dos juros.

No fim, a pergunta essencial não é apenas quanto se poupa no momento da compra. É quanto se pode vir a pagar depois.

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