Bill Gates vai prestar testemunho esta quarta-feira perante um comité do Congresso dos Estados Unidos no âmbito da investigação ao caso Jeffrey Epstein. O fundador da Microsoft será ouvido à porta fechada sobre os contactos que manteve com o financista condenado por crimes sexuais, que morreu na prisão em 2019.
A audição deverá permitir a Gates esclarecer a natureza das ligações a Epstein, que o próprio empresário já classificou como um “grande erro”. Apesar de nunca ter sido acusado de participar nos crimes cometidos por Epstein, o cofundador da Microsoft viu o tema regressar ao centro das atenções depois da divulgação de documentos e mensagens sobre contactos mantidos ao longo da década passada.
“Bill Gates recebeu de bom grado a oportunidade”, afirmou um porta-voz. A mesma fonte sublinhou que Gates “nunca testemunhou ou participou em atividades ilegais com Epstein”, mas que encara de forma positiva a possibilidade de responder às perguntas do comité e apoiar o trabalho da investigação.
Contactos com Epstein voltam a pressionar Fundação Gates
As ligações entre Gates e Epstein têm também gerado desgaste para a Fundação Gates, uma das maiores organizações filantrópicas do mundo. A instituição iniciou uma auditoria interna para rever o relacionamento de funcionários da fundação com Epstein e analisar contactos mantidos entre representantes da organização e o financista.
A fundação afirmou lamentar qualquer interação com Epstein e garantiu que nunca realizou pagamentos nem procurou estabelecer parcerias formais com ele. Ainda assim, mensagens reveladas nos últimos anos indicam que assessores e executivos ligados à instituição participaram em reuniões com Epstein entre 2011 e 2014 para discutir possíveis iniciativas filantrópicas.
Gates já admitiu arrependimento pelos encontros. O empresário afirmou anteriormente que acreditou, de forma errada, que Epstein poderia ajudar a atrair grandes doadores para projetos ligados à saúde global e ao combate à pobreza.
E-mail não enviado também será analisado
O comité da Câmara dos Representantes tem vindo a investigar o caso Epstein e quer agora ouvir Gates, que é mencionado em documentação associada ao processo. Entre os elementos referidos está um e-mail guardado, mas não enviado, com uma referência a medicamentos para “tratar Bill dos efeitos de ter sexo com meninas russas”.
A formulação do documento deverá ser um dos pontos sensíveis da audição, embora não exista indicação de que Gates tenha sido formalmente acusado de qualquer crime. A sua equipa tem insistido que o empresário nunca participou em atividades ilegais com Epstein.
De acordo com a ‘France-Presse’, o depoimento será realizado à porta fechada, num momento em que o Congresso americano continua a tentar esclarecer contactos, redes de influência e eventuais responsabilidades associadas ao caso Epstein.
Uma ex-diretora da Fundação Gates afirmou que recomendou o encerramento das conversas com Epstein depois de apenas dois encontros. A auditoria interna da fundação deverá continuar a analisar propostas de captação de fundos e outros contactos mantidos com o financista, com novas conclusões esperadas nos próximos meses.
O testemunho de Gates surge, assim, num ponto delicado para a sua imagem pública e para a fundação que leva o seu nome. Mesmo sem acusações criminais contra si, o empresário terá de explicar ao Congresso porque manteve contactos com Epstein depois de este já ser uma figura altamente controversa.




