Num ano marcado por mais avisos de viagem, conflitos armados e incerteza internacional, a Islândia voltou a ser considerada o país mais pacífico do mundo, de acordo com o Índice Global da Paz de 2026, citado pela ‘Euronews’. O ranking anual avalia 163 países e territórios independentes e é uma das referências mais completas para medir o nível de tranquilidade, estabilidade e segurança a nível global.
Para quem está a planear férias e quer colocar a segurança no topo das prioridades, os novos dados ajudam a perceber quais os países que oferecem maior estabilidade. Ainda assim, o próprio criador do índice alerta que esta classificação mede a paz a nível nacional e não substitui os avisos oficiais de viagem nem a análise dos riscos específicos de cada destino.
A edição de 2026 confirma uma tendência preocupante: o mundo tornou-se menos pacífico. O nível médio de paz global piorou 0,7% no último ano, com 99 países a recuarem e apenas 62 a melhorarem. Atualmente, 119 países são menos pacíficos do que eram em 2008.
Conflitos armados agravam insegurança global
O relatório aponta os conflitos armados como o principal motor da deterioração da paz. Existem hoje mais conflitos entre Estados do que em qualquer outro momento desde o fim da II Guerra Mundial, enquanto o número de países envolvidos em conflitos externos quase duplicou desde 2008.
A guerra civil no Sudão, o prolongamento da guerra na Ucrânia e a Guerra dos Doze Dias entre Israel, Estados Unidos e Irão contribuíram para um ambiente internacional mais frágil e militarizado. A ‘Euronews’ nota, no entanto, que o impacto da guerra envolvendo o Irão em 2026 está apenas parcialmente refletido nesta edição, uma vez que vários indicadores de conflito são contabilizados apenas até ao final de 2025.
No plano das viagens, esta instabilidade traduz-se num aumento dos avisos governamentais. No Reino Unido, por exemplo, 76 dos 226 países ou territórios com páginas oficiais de conselhos de viagem têm atualmente zonas a evitar devido a riscos de segurança, saúde ou instabilidade.
Islândia lidera há 19 anos
A Islândia mantém o primeiro lugar do Índice Global da Paz pelo 19º ano consecutivo. O país não tem forças armadas permanentes, apresenta níveis de criminalidade extremamente baixos e beneficia de uma elevada confiança social. O relatório descreve a sua liderança como confortável e com uma margem significativa face aos restantes países.
Em segundo lugar surge a Nova Zelândia, que subiu uma posição em 2026 e registou o valor mais baixo em conflitos em curso entre todos os países da região Ásia-Pacífico. A Suíça ocupa o terceiro lugar, seguida da Eslovénia, que subiu duas posições e se afirma como um dos destinos mais pacíficos da Europa.
A Irlanda fecha o top cinco mundial, mantendo a reputação de país acolhedor, hospitaleiro e regularmente presente entre as nações mais pacíficas do planeta.
Portugal também surge entre os países mais seguros e pacíficos nas classificações recentes do Índice Global da Paz. No relatório anterior, o país ocupava o 7.º lugar mundial, posição que reforçou a sua imagem internacional como destino seguro para viver e viajar
Europa continua a ser a região mais pacífica
A Europa Ocidental e Central permanece como a região mais pacífica do mundo, enquanto o Médio Oriente e o Norte de África surgem como as zonas menos pacíficas. A região da Europa de Leste e Ásia Central foi a única, entre as oito analisadas pelo índice, a melhorar em média no último ano.
A Polónia registou a maior melhoria a nível nacional, com uma subida de 23 lugares, para a 22ª posição mundial, graças sobretudo à melhoria no domínio dos conflitos em curso. Gabão, Lesoto, Ucrânia e Turquia registaram também progressos relevantes.
No caso turco, a melhoria é associada a um processo de paz sustentado entre o Governo da Turquia e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.
Rússia é o país menos pacífico
No extremo oposto da tabela, a Rússia surge como o país menos pacífico do mundo em 2026. Sudão, República Democrática do Congo, Ucrânia e Israel completam os cinco últimos lugares do ranking.
O Nepal registou a maior deterioração anual, depois dos protestos da geração Z em setembro de 2025. Seguiram-se Chade, República do Congo, Paquistão e Tanzânia.
Os Estados Unidos também recuaram, com uma deterioração de 4%, sobretudo devido ao aumento da instabilidade política, que se agravou 38,5%. As manifestações violentas também cresceram de forma substancial, deixando o país na 134.ª posição do índice.
Índice ajuda, mas não substitui avisos oficiais
O Índice Global da Paz avalia 23 indicadores qualitativos e quantitativos, distribuídos por três áreas: segurança e proteção na sociedade, extensão dos conflitos internos e internacionais e grau de militarização.
Steve Killelea, fundador do Institute for Economics & Peace e criador do índice, lembra que o ranking é um bom barómetro da estabilidade global de um país, mas não mede todos os riscos que um viajante pode enfrentar no terreno.
Pequena criminalidade, segurança rodoviária, desastres naturais, protestos localizados ou riscos sanitários podem variar muito dentro do mesmo país. Por isso, quem vai viajar deve continuar a consultar os avisos oficiais dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e as orientações específicas para cada destino.
Ainda assim, num momento em que a perceção de insegurança internacional está a crescer, o ranking oferece uma bússola útil. E, em 2026, essa bússola volta a apontar para a Islândia como o país mais pacífico do mundo.













