Do Porsche 911 ao Toyota Hilux: as escolhas mais bizarras dos carros mais vendidos no mundo em 2025

Análise parte de dados publicados pela ‘Carindustryanalysis’, conta especializada em estatísticas automóveis gerida por um especialista da ‘Jato Dynamics’

Automonitor

O Toyota Hilux foi o modelo mais vendido em mais de 40 países em 2025, num mapa automóvel mundial que mostra realidades muito diferentes consoante o mercado, escreve a ‘L’Automobile Magazine’. Entre elétricos chineses, pequenos citadinos japoneses, SUV europeus e grandes 4×4 do Médio Oriente, a lista dos carros mais vendidos por país revela que a transição automóvel não avança ao mesmo ritmo em todo o mundo.

A análise parte de dados publicados pela ‘Carindustryanalysis’, conta especializada em estatísticas automóveis gerida por um especialista da ‘Jato Dynamics’. Apesar de algumas imprecisões assinaladas em certos mercados, o retrato geral é claro: fora dos grandes mercados europeus mais previsíveis, há um mundo automóvel muito mais diverso, onde Toyota continua a dominar e onde o Hilux mantém uma força difícil de igualar.

Em França, as preferências continuam habitualmente repartidas entre modelos como Renault Clio, Peugeot 208 ou Dacia Sandero. Na Alemanha, a Volkswagen Golf conserva o peso histórico. No Japão, a liderança cabe ao Honda N-Box, uma kei car adaptada às regras e hábitos locais. Mas, noutros países, a escolha dos consumidores aponta para soluções muito diferentes.

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Toyota lidera em dezenas de países

A Toyota surge no topo das vendas em cerca de 40 países, muito à frente de outros fabricantes. Renault e Volkswagen aparecem na liderança em cerca de uma dúzia de mercados, enquanto a Suzuki lidera em perto de dez.

Essa distribuição ajuda a explicar a força global do grupo japonês, mesmo num momento em que continua atrasado face a rivais chineses na corrida ao veículo elétrico. A Toyota compensa esse atraso com uma presença muito ampla em mercados onde a robustez, a fiabilidade e a adaptação ao terreno continuam a pesar mais do que a eletrificação.

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Entre os modelos, nenhum se destaca tanto como o Hilux. A pick-up japonesa lidera as vendas em mais de 40 países, enquanto o segundo modelo mais repetido no topo, o Renault Clio, fica abaixo dos dez países. Argentina, Chile, vários mercados da América Central, Gana, Namíbia e Nova Caledónia estão entre os exemplos onde o Hilux continua a ser uma escolha de referência.

O sucesso explica-se pela procura de veículos resistentes, com capacidade todo-o-terreno e vocação profissional. Nestes mercados, a versão diesel continua a ser a preferida, e não a elétrica, mostrando que a realidade automóvel de grande parte do mundo ainda está longe da eletrificação total.

Da BYD Seagull à Porsche 911

A lista também deixa curiosidades. Na Albânia, a BYD Seagull foi o carro mais vendido em 2025 e representou sozinha 12% do mercado nacional. A marca chinesa teve um desempenho tão forte que ocupou praticamente os cinco primeiros lugares naquele país, um sinal de como os construtores chineses começam a entrar na Europa por mercados menos óbvios.

Ainda na Europa, o Toyota Yaris Cross liderou em países como Lituânia, Finlândia, Letónia e Grécia, confirmando o peso crescente dos SUV compactos. A ‘L’Automobile Magazine’ destaca que os SUV são hoje a carroçaria dominante em mais de 40 países, enquanto as pick-up lideram em cerca de 30.

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Há também casos mais invulgares. Em Andorra, a Porsche 911 volta a surgir em destaque, num mercado muito particular. No Qatar, Bahrain e Kuwait, o Toyota Land Cruiser lidera as vendas, refletindo a preferência local por grandes todo-o-terreno. No Brunei, os compradores escolheram antes o Toyota Fortuner.

O mapa real da indústria automóvel

A diversidade dos modelos mais vendidos mostra que o mercado automóvel global não pode ser lido apenas a partir da Europa, da China ou dos Estados Unidos. Em alguns países, a prioridade está no preço e na mobilidade urbana. Noutros, no estatuto. Noutros ainda, na capacidade de enfrentar estradas difíceis, trabalho duro e longas distâncias.

É por isso que modelos tão diferentes como o BYD Seagull, o Honda N-Box, o Skoda Octavia, o Toyota Land Cruiser ou o Toyota Hilux podem ser líderes nacionais no mesmo ano. Cada um responde a uma necessidade local distinta.

A grande conclusão é que, embora o elétrico avance rapidamente em alguns mercados, a robustez mecânica e a adaptação ao terreno continuam a decidir as vendas em muitos países. O Toyota Hilux é o melhor exemplo dessa realidade: discreto na conversa europeia sobre eletrificação, mas dominante no mapa mundial das vendas.

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