Tragédia no Elevador da Glória: PJ faz buscas na Carris e empresa de manutenção

A Polícia Judiciária está a realizar, na manhã desta sexta-feira, uma operação de buscas relacionada com a tragédia do Elevador da Glória, em Lisboa, cujo descarrilamento, em setembro de 2025, provocou a morte de 16 pessoas.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Polícia Judiciária está a realizar, na manhã desta sexta-feira, uma operação de buscas relacionada com a tragédia do Elevador da Glória, em Lisboa, cujo descarrilamento, em setembro de 2025, provocou a morte de 16 pessoas. A investigação criminal incide sobre suspeitas de homicídio por negligência e violação de regras de segurança, tendo como principais alvos responsáveis da Carris e da empresa encarregada da manutenção do equipamento.

A operação, que decorre sob coordenação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, envolve mais de duas dezenas de inspetores da Polícia Judiciária e está a ser acompanhada no terreno pelo procurador Joaquim Morgado, magistrado responsável pelo inquérito. As autoridades procuram recolher documentação, registos técnicos e outros elementos considerados relevantes para apurar responsabilidades no acidente que abalou Lisboa e levantou sérias dúvidas sobre as condições de segurança da histórica infraestrutura.

Segundo a CNN Portugal, estão a ser realizadas buscas domiciliárias aos responsáveis visados no processo. Entre os investigados encontram-se quadros ligados à Carris e elementos da empresa MAIN, subcontratada para assegurar os trabalhos de manutenção do Elevador da Glória. A investigação tem contado com o apoio técnico do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Ferroviários e Aeronáuticos (GPIAAF), cujas conclusões preliminares já tinham apontado falhas consideradas graves.

Essas conclusões levaram, entretanto, à saída do diretor de manutenção da Carris, responsável pela tutela direta da infraestrutura. Também foi identificado o gestor do contrato de manutenção atribuído à empresa MNTC. Do lado da empresa subcontratada, as autoridades identificam como principal responsável o sócio-gerente Gustavo Pita Soares.

No centro da investigação estão problemas detetados nos cabos responsáveis pelo funcionamento do sistema de travagem do elevador. As falhas identificadas terão comprometido a eficácia do mecanismo de segurança do equipamento, fator considerado determinante para o descarrilamento fatal ocorrido em setembro do ano passado.

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As autoridades acreditam que a recolha de prova agora em curso poderá acelerar a fase final do inquérito. O Ministério Público deverá, nos próximos tempos, retirar conclusões sobre as responsabilidades criminais no caso e decidir se avança com acusações formais contra os responsáveis investigados.

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