Portugal está a ficar sem casas para os ricos. Mansões acima dos 8 milhões são raridade e estrangeiros estão a absorver a oferta

Portugal consolidou-se como um destino de luxo global, atraindo compradores nacionais e internacionais em busca de habitações exclusivas. No entanto, a oferta de casas de superluxo continua limitada: no início de 2026 existiam pouco mais de mil imóveis à venda no país com preços superiores a 4 milhões de euros, segundo dados do idealista/data.

André Manuel Mendes

Portugal consolidou-se como um destino de luxo global, atraindo compradores nacionais e internacionais em busca de habitações exclusivas. No entanto, a oferta de casas de superluxo continua limitada: no início de 2026 existiam pouco mais de mil imóveis à venda no país com preços superiores a 4 milhões de euros, segundo dados do idealista/data.

A escassez explica-se, sobretudo, pela falta de localizações verdadeiramente premium. Zonas com vista mar, elevada privacidade, segurança, proximidade a marinas, campos de golfe ou centros históricos são raras e, em muitos casos, enfrentam restrições ambientais e urbanísticas que limitam novos projetos.

Entre os destinos mais procurados destaca-se Cascais, que concentra a maior oferta nacional deste segmento. O concelho tinha, no arranque de 2026, cerca de 425 casas de ultraluxo à venda, com preços medianos de 4,7 milhões de euros, apesar de o stock ter recuado 10% face ao ano anterior.

A dimensão do mercado em Cascais supera mesmo a das maiores cidades portuguesas. Lisboa contabilizava cerca de 141 imóveis deste tipo, enquanto o Porto tinha apenas 10 habitações disponíveis. Ainda assim, a Invicta registou o preço mediano mais elevado, nos 6,5 milhões de euros, enquanto Lisboa se fixou nos 5,2 milhões.

Já a Comporta continua a afirmar-se como um mercado ultraprime marcado pela exclusividade e discrição. Apesar da reduzida oferta — apenas três imóveis disponíveis — a região mantém forte atratividade internacional, impulsionada por celebridades e investidores estrangeiros.

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No Algarve, o distrito de Faro destaca-se com mais de 325 casas de ultraluxo à venda, num crescimento anual de 46%. O preço mediano manteve-se estável nos 4,95 milhões de euros. O chamado “triângulo dourado”, entre Quinta do Lago, Vale do Lobo e Vilamoura, continua a concentrar algumas das propriedades mais valorizadas do país.

Também a Madeira tem vindo a ganhar peso neste mercado. A oferta quase triplicou no último ano, atingindo cerca de 60 imóveis, enquanto o preço mediano subiu 22%, para 5,5 milhões de euros.

O segmento mais exclusivo do mercado — casas acima dos 8 milhões de euros — permanece ainda mais restrito. No primeiro trimestre de 2026 existiam pouco mais de 200 imóveis ultraprime anunciados em Portugal.

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Neste patamar, Cascais e Algarve continuam a dominar. O concelho de Cascais contabilizava mais de 50 imóveis acima dos 8 milhões de euros, com preços medianos de 13,5 milhões. Já o distrito de Faro reunia mais de 140 propriedades deste segmento, com preços medianos de 11,5 milhões de euros.

Segundo o idealista/data, a crescente procura internacional por Portugal como destino residencial de luxo continua a aumentar mais rapidamente do que a capacidade de criar nova oferta, contribuindo para valorizar ainda mais os imóveis exclusivos no país.

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