O mercado de private equity em Portugal registou um forte crescimento em 2025, alcançando 167 transações e um valor agregado de cerca de 7,7 mil milhões de euros, mais do dobro do registado em 2024, segundo o novo relatório “Market trends in Iberian private equity transactions 2026 edition”, da Cuatrecasas. O número de operações aumentou 55% em termos homólogos, refletindo “um salto transformador” na dimensão e diversidade dos negócios realizados no país.
De acordo com o estudo, o mercado português combinou “um volume recorde de deal flow com o segundo maior valor agregado da década”, impulsionado sobretudo por capital internacional. As operações crossborder representaram cerca de 97% do valor total das transações em 2025, enquanto os investidores domésticos aumentaram a sua participação em volume para 61%, acima dos 27% registados em 2024.
O relatório destaca ainda uma forte aceleração das operações de saída (“exits”), que atingiram aproximadamente 6,3 mil milhões de euros, representando 82% do valor total das operações realizadas no ano. Já o valor associado a investimentos subiu quase 29%, para 1,4 mil milhões de euros.
Entre os setores mais dinâmicos estiveram tecnologia, life sciences, serviços e retalho. Ainda assim, o estudo sublinha que o universo de oportunidades se tornou mais diversificado, com crescimento em vários segmentos da economia.
A análise da Cuatrecasas revela também uma crescente polarização do mercado. As grandes operações acima de 500 milhões de euros ganharam peso em 2025, representando 70% do valor total das transações, enquanto as operações de pequena dimensão continuaram a impulsionar o volume de negócios, sobretudo através de estratégias de buy-and-build e consolidação patrocinada por fundos.
No plano das tendências contratuais, o relatório indica que os mecanismos “locked-box” recuperaram protagonismo nas operações de private equity em Portugal, superando novamente os ajustamentos por completion accounts. Além disso, 81% das transações incluíram deferred consideration, sobretudo através de earn-outs indexados a EBITDA e receitas.
A arbitragem manteve-se como o principal mecanismo de resolução de litígios nas operações analisadas, surgindo em 65% dos contratos, com Lisboa a afirmar-se como a principal sede arbitral.
Segundo a sociedade de advogados, o mercado português de private equity continua a apresentar “forte dinamismo”, suportado tanto por operações de small-cap como por mandatos de elevado valor, acima dos 50 milhões de euros.





