PRO.VAR desafia partidos a harmonizar IVA entre hotelaria e restauração

A PRO.VAR – Associação Nacional de Restaurantes denunciou hoje o que considera ser “uma das maiores incoerências fiscais do turismo europeu” e desafiou os partidos políticos a apresentarem uma proposta de harmonização fiscal entre hotelaria e restauração.

Executive Digest com Lusa

A PRO.VAR – Associação Nacional de Restaurantes denunciou hoje o que considera ser “uma das maiores incoerências fiscais do turismo europeu” e desafiou os partidos políticos a apresentarem uma proposta de harmonização fiscal entre hotelaria e restauração.


Na quarta-feira, numa audição no parlamento sobre as regras orçamentais europeias, o ministro das Finanças disse que a redução do IVA na restauração, decidida em 2016, foi um “erro crasso”, considerando-a uma medida “altamente populista”.


Em comunicado emitido hoje, a associação considera “profundamente preocupante e incompreensível” a forma como o debate sobre o IVA da restauração está novamente a ser conduzido em Portugal.


Segundo a PRO.VAR, as recentes declarações políticas e recomendações públicas que colocam em causa a manutenção da taxa intermédia do IVA na restauração ignoram “não apenas a realidade dramática que o setor atravessa, mas também as conclusões já reconhecidas pelo próprio Estado português”.


A associação recorda que o Relatório Interministerial de 2013 sobre o impacto da subida do IVA na restauração concluiu que a medida teve efeitos “profundamente negativos” no setor e na economia nacional, revelando-se “contraproducente”, ao provocar encerramentos de empresas, destruição de emprego, perda de competitividade e consequências económicas superiores à visão de arrecadação imediata de receita fiscal.

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A PRO.VAR sustenta que a restauração atravessa atualmente “uma das fases mais difíceis das últimas décadas”, apontando custos energéticos elevados, inflação acumulada nas matérias-primas, forte pressão salarial, aumento das rendas, quebras de rentabilidade e crescente encerramento de restaurantes tradicionais em todo o país.


A estes fatores somam-se, segundo a associação, os efeitos da pandemia, que “continuam longe de estar totalmente ultrapassados”, mantendo muitas empresas fragilizadas, endividadas e ainda a suportar perdas acumuladas durante os períodos de encerramento e restrições.


“Perante este cenário, insistir num discurso de agravamento fiscal ou questionar a legitimidade da redução do IVA representa uma visão profundamente desajustada da realidade económica e social do país”, defende.

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No comunicado, a PRO.VAR aponta uma “contradição ainda mais grave e difícil de compreender”, afirmando que Portugal mantém atualmente “um dos IVA mais reduzidos da Europa na hotelaria e um dos mais elevados na restauração”.


“Estamos perante uma situação antagónica, profundamente contraditória e sem coerência económica”, sustenta.


A associação questiona que, “se o argumento utilizado para atacar a redução do IVA da restauração é o do ‘custo fiscal’ para o Estado”, o mesmo princípio não seja aplicado à hotelaria.


Para a PRO.VAR, “a dualidade de critérios é evidente”, considerando que se protege fiscalmente “o setor mais forte e capitalizado do turismo”, enquanto se continua a penalizar aquele que “mais pequenas empresas integra, mais emprego gera e mais diretamente preserva a identidade cultural e gastronómica portuguesa”.


A associação defende, por isso, “uma verdadeira harmonização fiscal entre hotelaria e restauração”, aproximando Portugal da realidade praticada na maioria dos países europeus.

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“A redução do IVA da restauração não deve ser encarada como um privilégio fiscal, mas sim como uma medida estratégica de equilíbrio económico, competitividade, combate à informalidade, preservação do emprego e valorização da gastronomia tradicional portuguesa”, afirma.

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