Com a chegada do calor, autoridades e especialistas em segurança rodoviária voltam a lançar um aviso que continua a ser necessário todos os anos: nunca deixar uma criança sozinha dentro de um carro. O alerta, sublinhado pelo ‘El Economista’, pode parecer evidente, mas continua a estar associado a tragédias evitáveis.
Os bebés e as crianças pequenas são especialmente vulneráveis às altas temperaturas. O seu sistema de regulação térmica ainda não está totalmente desenvolvido, o que faz com que a temperatura corporal possa subir rapidamente. Em situações extremas, pode passar dos habituais 36 ou 37 graus para mais de 42 graus, provocando um golpe de calor potencialmente mortal.
O risco aumenta porque o interior de um veículo aquece muito depressa. Em menos de dez minutos, a temperatura dentro de um carro pode subir entre 10 e 15 graus. Num dia com 35 graus, o habitáculo pode ultrapassar os 50 graus em cerca de 15 minutos.
Este efeito transforma qualquer distração numa situação crítica. Nos Estados Unidos, a organização Safe ‘Kids Worldwide’ identifica os golpes de calor como a principal causa de morte infantil em veículos sem que exista acidente: morre uma criança a cada dez dias por esta razão.
Na Europa, os números conhecidos são mais baixos, mas o problema também existe. Um estudo com participação do RACE contabilizou pelo menos 26 mortes entre 2006 e 2020, embora a dimensão real possa ser superior por falta de registos completos.
Em Espanha, o alerta também é recorrente. Víctor Arrazola, membro da Aliança Espanhola para a Segurança Rodoviária Infantil, lembra que todos os anos há mortes de bebés e crianças por golpes de calor em veículos. Só no ano passado, foram registados três casos fatais.
Os especialistas insistem que estas mortes são evitáveis. Nem sempre resultam de negligência consciente: podem acontecer por esquecimentos involuntários, alterações de rotina, stress ou falsas perceções de que a ausência será breve. O problema é que, dentro de um carro exposto ao sol, poucos minutos podem bastar para colocar uma criança em perigo.
A recomendação principal é simples: nunca deixar um menor sozinho no carro, nem por alguns minutos. Antes de iniciar a marcha, deve confirmar-se que a temperatura interior é adequada, idealmente entre 21 e 23 graus, e ventilar o veículo quando esteve estacionado ao sol.
Também é importante verificar superfícies e peças metálicas ou plásticas, como fivelas, encaixes das cadeiras ou zonas expostas ao sol, que podem aquecer ao ponto de provocar queimaduras. Durante a viagem, a vigilância deve ser constante, sobretudo no caso de bebés e crianças pequenas.
A tecnologia tem tentado responder a este risco. Cada vez mais fabricantes integram sistemas de deteção de ocupantes nos bancos traseiros, capazes de alertar o condutor caso alguém fique dentro do carro depois de este ser fechado.
A Volvo, por exemplo, desenvolveu sistemas de radar capazes de detetar movimentos mínimos, incluindo a respiração de um bebé adormecido. A Hyundai utiliza sensores ultrassónicos para monitorizar os bancos traseiros e, se detetar movimento depois de o condutor sair, pode ativar alertas sonoros, visuais e notificações no telemóvel.
A Tesla também tem introduzido funções de deteção de crianças esquecidas em modelos como o Model 3, com alarmes progressivos, avisos através da aplicação e manutenção da temperatura no habitáculo. Já a Kia dispõe do sistema ROA, sigla de Rear Occupant Alert, que lembra o condutor de verificar os bancos traseiros antes de abandonar o veículo.
Enquanto as mudanças legais não chegam, a prevenção continua a ser a principal resposta. A formação, a informação às famílias e a escolha de equipamentos seguros são essenciais para reduzir riscos. Os especialistas alertam também para o perigo de cadeiras infantis em segunda mão ou compradas fora da União Europeia, que podem não cumprir os padrões de segurança exigidos.













