No Dia Mundial da Reciclagem, assinalado este domingo, a Eco-Oil defende que a sustentabilidade industrial já não pode ser vista apenas como uma questão de separação e tratamento de resíduos. Para a empresa portuguesa especializada no tratamento de águas contaminadas e na produção de fuel sustentável para a indústria a partir de resíduos recebidos dos navios-tanque, o desafio passa por acelerar a transição da reciclagem para uma verdadeira economia circular.
Num contexto em que empresas de todos os setores enfrentam pressão crescente para reduzir a pegada ambiental e encontrar fontes de energia mais sustentáveis, persistem ainda obstáculos relevantes. Entre eles estão a capacidade insuficiente de recolha e triagem de determinados fluxos de resíduos, a necessidade de reforçar infraestruturas e a importância de criar mecanismos mais robustos de rastreabilidade.
Os números mostram a dimensão do caminho por fazer. De acordo com dados recentes do Eurostat citados pela Eco-Oil, apenas cerca de 10% dos materiais utilizados na economia europeia têm origem em materiais reciclados, um valor que evidencia o potencial ainda por explorar na valorização de resíduos e na sua reintegração nas cadeias produtivas.
“Hoje, falar de economia circular já não significa apenas falar de reciclagem. Significa repensar a forma como produzimos, consumimos e valorizamos os recursos ao longo de toda a cadeia de valor. Se acreditamos mesmo na sustentabilidade, devemos tratar os resíduos gerados como uma oportunidade para acelerar a transição para um modelo mais sustentável e resiliente”, afirma Nuno Matos, diretor-geral da Eco-Oil.
Perante estes desafios, a Eco-Oil identifica três áreas-chave para impulsionar uma indústria mais sustentável: valorizar resíduos como substitutos de recursos fósseis, reciclar materiais críticos e reintroduzi-los na cadeia produtiva, e apostar em cadeias de valor circulares, integradas e rastreáveis.
A primeira passa pela transformação de resíduos industriais e orgânicos em combustíveis alternativos. Esta solução permite reduzir a dependência de matérias-primas fósseis, evitar o envio de resíduos para aterro ou para incineração convencional e contribuir para a descarbonização de setores com elevada intensidade energética.
A incorporação de combustíveis reciclados de carbono e de outras soluções energéticas de origem residual permite ainda reduzir emissões associadas à combustão e prolongar o ciclo de vida de materiais que, de outra forma, poderiam ser incorretamente tratados ou descartados.
A segunda área-chave centra-se na recuperação de materiais críticos, como metais, plásticos e outras componentes industriais. A sua reintrodução na cadeia produtiva permite diminuir a pressão sobre recursos naturais finitos e reduzir a pegada ambiental associada à extração e transformação de matérias-primas virgens.
A terceira prioridade prende-se com a criação de cadeias de valor mais circulares e rastreáveis. Para a Eco-Oil, a transição para um modelo económico mais sustentável exige cadeias mais integradas, transparentes e digitalizadas, capazes de garantir o acompanhamento dos materiais desde a recolha até à valorização final.
Esta rastreabilidade é apontada como essencial não apenas para assegurar conformidade regulatória, mas também para reforçar a confiança entre empresas, operadores, reguladores e restantes intervenientes da cadeia. Num contexto de maior exigência ambiental, saber de onde vêm os resíduos, como são tratados e para que fins são valorizados torna-se parte central da competitividade industrial.
Mais do que uma resposta à gestão de resíduos, a economia circular representa uma transformação estrutural na forma como a indústria produz, consome e reintegra recursos no ciclo económico. A propósito do Dia Mundial da Reciclagem, a Eco-Oil reforça a necessidade de maior colaboração entre empresas, entidades públicas e restantes partes interessadas, defendendo políticas que estimulem a circularidade e acelerem a transição para uma economia mais sustentável, resiliente e de baixo carbono.













