Ir a um restaurante continua a ser, para muitos, um momento de lazer e convívio. No entanto, entre cozinhas movimentadas, utensílios partilhados e centenas de clientes ao longo do dia, existem superfícies que podem concentrar uma quantidade significativa de germes, mesmo em estabelecimentos considerados sofisticados.
Segundo especialistas ouvidos pelo HuffPost, o objeto mais contaminado num restaurante poderá não estar na cozinha, nos talheres ou até na casa de banho, mas sim nas mãos dos próprios clientes: os menus.
O alerta foi deixado pelo microbiologista Jason Tetro, conhecido como “The Germ Guy”, durante uma entrevista ao podcast “Am I Doing It Wrong?”, conduzido por Raj Punjabi e Noah Michelson.
Menus acumulam germes devido a erros de limpeza
Jason Tetro explicou que, há alguns anos, realizou visitas a diferentes espaços públicos para identificar os objetos mais contaminados. Nos restaurantes, disse, os menus apareciam consistentemente no topo da lista.
O especialista esclareceu, contudo, que o principal problema não estava necessariamente nos próprios menus, mas sim na forma como eram limpos.
Segundo Tetro, muitos estabelecimentos utilizam panos já contaminados para higienizar várias superfícies sucessivamente, acabando por espalhar os germes em vez de os eliminar.
O microbiologista alertou ainda para outro erro frequente: a utilização incorreta de produtos desinfetantes. Explicou que aplicar o desinfetante diretamente num pano não garante a descontaminação eficaz da superfície, já que apenas uma pequena área do tecido fica verdadeiramente desinfetada enquanto o restante permanece contaminado.
De acordo com o especialista, o procedimento correto passa por aplicar o desinfetante diretamente no menu e deixá-lo atuar durante o tempo recomendado.
“Tempo de contacto” é essencial para eliminar bactérias e vírus
Jason Tetro sublinhou que existe um conceito frequentemente ignorado quando se fala em higiene: o chamado “tempo de contacto”.
O microbiologista explicou que os desinfetantes necessitam de permanecer sobre a superfície durante um determinado período para conseguirem eliminar eficazmente vírus e bactérias. Esse tempo pode variar entre 30 segundos e 10 minutos, dependendo do produto utilizado.
Segundo o especialista, muitas pessoas pulverizam o desinfetante e limpam imediatamente a superfície, impedindo o produto de atuar corretamente.
Tetro recordou um estudo realizado em ginásios, no qual os investigadores verificaram que os utilizadores aplicavam o desinfetante e limpavam instantaneamente os equipamentos, apesar das instruções indicarem que o produto deveria permanecer durante 10 minutos.
O microbiologista contou que muitos participantes ficaram surpreendidos ao descobrir que estavam a usar os produtos de forma errada.
Novos desinfetantes prometem ação mais rápida
Apesar dos problemas associados à limpeza inadequada, Jason Tetro destacou que algumas empresas começaram a desenvolver desinfetantes de ação mais rápida e com fórmulas consideradas mais naturais.
Segundo o especialista, vários produtos atuais utilizam componentes como peróxido de hidrogénio e ácido cítrico, substituindo substâncias químicas mais agressivas e difíceis de identificar pelos consumidores.
Ainda assim, o elevado número de pessoas que manuseiam menus diariamente continua a transformar estes objetos em potenciais focos de transmissão de germes.
Tetro afirmou que, a menos que os menus sejam desinfetados corretamente após cada utilização, continuarão provavelmente a ser “o local mais contaminado de um restaurante”.
Lavar as mãos continua a ser a principal recomendação
Uma vez que os clientes dificilmente conseguem saber se um menu foi devidamente limpo, os especialistas recomendam medidas simples para reduzir o risco de contaminação.
A principal sugestão passa por lavar as mãos ou utilizar desinfetante após manusear o menu, especialmente antes de comer.
Sempre que disponível, o microbiologista aconselha também a utilização de menus digitais através de códigos QR, reduzindo assim o contacto com superfícies partilhadas.
As recomendações aplicam-se igualmente ao ambiente doméstico. Jason Tetro salientou que, em casa, os consumidores devem ler cuidadosamente os rótulos dos desinfetantes e respeitar os tempos de contacto indicados pelos fabricantes para garantir uma limpeza eficaz.













