Incumprimentos aumentam em Portugal: quase um quarto das empresas já sofreu falhas graves de pagamento

Dado consta da vaga de primavera do Estudo de Gestão de Risco de Crédito em Portugal, promovido pela Crédito y Caución e pela Iberinform, que contou com a participação de gestores de mais de 400 empresas de diferentes dimensões e setores.

Executive Digest

Quase uma em cada quatro empresas portuguesas sofreu incumprimentos significativos nos últimos 12 meses, num contexto marcado por maior pressão financeira, custos energéticos elevados, inflação e tensões geopolíticas.

O dado consta da vaga de primavera do Estudo de Gestão de Risco de Crédito em Portugal, promovido pela Crédito y Caución e pela Iberinform, que contou com a participação de gestores de mais de 400 empresas de diferentes dimensões e setores.

Segundo o estudo, 23% das empresas portuguesas confirmam ter enfrentado incumprimentos relevantes no último ano, um sinal de deterioração da solvência dos clientes e de maior exigência na gestão do risco de crédito.

A pressão económica chega às carteiras comerciais

O ambiente económico está a ter impacto direto no risco de crédito das empresas.

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De acordo com o estudo, 35% das empresas portuguesas dizem sentir o efeito da conjuntura económica na qualidade da sua carteira comercial.

O principal fator de preocupação continua a ser a evolução dos custos financeiros, apontada por 44% das empresas. Este valor fica seis pontos acima do registado há um ano, refletindo o peso do financiamento no equilíbrio financeiro de clientes e fornecedores.

Logo a seguir surge a inflação, referida por 43% dos inquiridos, confirmando que a subida generalizada dos preços continua a afetar margens, tesouraria e capacidade de pagamento.

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Energia e geopolítica ganham peso no risco de crédito

Um dos dados mais expressivos do estudo é a subida do peso dos custos energéticos na perceção de risco das empresas.

Os custos da energia são agora apontados por 40% das empresas como um fator negativo para a solvência dos clientes, contra 23% na vaga da primavera de 2025.

A evolução está associada aos efeitos das novas tensões geopolíticas e à subida dos preços do petróleo resultante da guerra no Irão, que voltaram a colocar a energia no centro das preocupações empresariais.

As tensões geopolíticas surgem também em forte subida. São referidas por 38% das empresas, muito acima dos 20% registados no ano passado.

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Ou seja, o risco de crédito deixou de depender apenas da situação financeira de cada cliente. Está cada vez mais ligado a fatores externos, como conflitos internacionais, preços da energia, cadeias de abastecimento e instabilidade nos mercados.

Cadeias de abastecimento, procura e tarifas também preocupam

Além dos custos financeiros, inflação, energia e geopolítica, as empresas identificam outros fatores que podem afetar a solvência dos clientes.

Os problemas nas cadeias de abastecimento são apontados por 24% das empresas.

A evolução da procura surge logo depois, com 23%.

Já o impacto das novas tarifas é referido por 8% das empresas, um valor mais baixo, mas ainda assim relevante num contexto de maior incerteza no comércio internacional.

Vendas caem em 21% das empresas

O estudo mostra também que 21% do tecido produtivo registou uma diminuição das vendas.

Apesar deste cenário, a maioria das empresas mantém uma leitura positiva da evolução da atividade. Ao todo, 62% das empresas registaram algum tipo de crescimento.

Este dado ajuda a explicar o contraste central do estudo: há mais pressão no risco de crédito e nos pagamentos, mas a expectativa empresarial para 2026 continua favorável.

Empresas mantêm confiança em 2026

Apesar do aumento dos incumprimentos e da deterioração de alguns indicadores de risco, as empresas portuguesas mostram confiança na evolução da faturação.

De acordo com a Crédito y Caución e a Iberinform, 66% das empresas esperam que as receitas continuem a crescer em 2026.

Em sentido contrário, apenas 10% antecipam um exercício pior do que o anterior em termos de faturação.

A leitura final é a de um tecido empresarial ainda resiliente, mas a operar num ambiente mais exigente, onde a gestão do risco de crédito ganha importância estratégica.

O estudo aponta para um ano em que crescer pode não ser suficiente: será também necessário controlar melhor prazos de pagamento, exposição a clientes, custos financeiros e riscos externos.

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