Os CTT e a DHL eCommerce selaram esta terça-feira a joint venture anunciada no final de 2024, dando início a uma nova fase no mercado ibérico de encomendas.
O acordo, concluído depois da aprovação incondicional da Comissão Europeia, tem como objetivo construir uma das redes de transporte e distribuição de encomendas mais completas, eficientes e competitivas da Península Ibérica, considerada o quarto maior mercado europeu neste segmento.
Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, os CTT indicam que a operação gera um encaixe líquido de 64 milhões de euros para a empresa portuguesa.
O valor fica abaixo dos 69 milhões de euros anunciados em dezembro de 2024, mas os CTT explicam que o valor dos ativos da transação se manteve inalterado. A diferença resulta de ajustamentos habituais relativos à dívida líquida e ao fundo de maneio líquido.
Uma parceria para ganhar escala ibérica
A aliança entre os CTT e a DHL eCommerce pretende reforçar o posicionamento das duas empresas nos segmentos B2B e B2C, aumentar a capacidade nos envios internacionais e transfronteiriços e consolidar ambas como operadores logísticos de referência no sul da Europa.
A parceria foi desenhada para responder ao crescimento do comércio eletrónico, ao aumento dos fluxos entre Portugal e Espanha e às necessidades de empresas que operam em mercados cada vez mais integrados.
A combinação das redes deverá permitir a criação de empresas de distribuição de encomendas de elevado desempenho, com foco em e-commerce, serviços B2B e soluções out-of-home.
A capacidade diária conjunta deverá superar um milhão de envios em Portugal e Espanha, com receitas combinadas estimadas em cerca de mil milhões de euros.
Mais 10 mil cacifos de encomendas
A joint venture prevê também a expansão da rede conjunta de serviços out-of-home, um segmento cada vez mais importante na logística de encomendas.
Está prevista a instalação de mais 10 mil novos cacifos de encomendas nos próximos anos, reforçando a conveniência para consumidores e empresas.
A aposta nestes pontos de entrega e recolha responde a uma tendência clara do setor: maior flexibilidade para o cliente final, redução da pressão sobre a última milha e aumento da eficiência operacional.
Como fica estruturado o acordo?
A operação assenta numa estrutura de participações cruzadas.
Em Portugal, o negócio da DHL eCommerce será transferido para a CTT Expresso.
A CTT Expresso adquire 25% da DHL eCommerce Espanha.
A DHL eCommerce fica com 25% da CTT Expresso, que inclui a operação em Portugal.
Na prática, os CTT reforçam a sua presença ibérica e passam a ter uma posição relevante na operação espanhola da DHL eCommerce, enquanto a DHL entra no capital da CTT Expresso.
A CTT Expresso passará também a operar sob a marca CTTexpress tanto em Portugal como em Espanha, refletindo a ambição ibérica do grupo português.
Portugal e Espanha com modelos diferentes
A parceria terá modelos operacionais distintos nos dois mercados.
Em Portugal, a CTT Expresso assumirá as operações da DHL eCommerce, tornando-se o operador conjunto responsável pelo processamento e distribuição dos volumes de encomendas da DHL eCommerce no país.
O objetivo é criar redes mais eficientes, com maior capilaridade, melhor qualidade de serviço e maior fiabilidade operacional.
Em Espanha, o modelo será mais segmentado.
A CTTexpress Espanha ficará responsável pelo segmento B2C, com foco na distribuição ao consumidor e nos serviços de última milha.
Já a DHL eCommerce Espanha manterá o foco nos segmentos B2B e nos serviços internacionais e transfronteiriços.
As marcas serão preservadas, mas com endossos cruzados: a DHL eCommerce Espanha usará “Together with CTTexpress”, enquanto a CTTexpress Espanha surgirá com “Together with DHL”.
Empresas mantêm operação autónoma
Apesar da parceria, os CTT e a DHL sublinham que a aliança não representa uma fusão nem uma integração total.
A implementação será gradual e não deverá perturbar as operações do dia a dia.
As empresas mantêm um modelo de funcionamento em regime de business as usual, ao mesmo tempo que começam a desenvolver iniciativas de colaboração.
A lógica é combinar competências complementares sem eliminar a especialização de cada operador.
O que cada empresa traz para a parceria?
A DHL eCommerce contribui com experiência em soluções logísticas B2B, envios internacionais e fluxos transfronteiriços.
A empresa traz ainda uma rede robusta, conectividade internacional e conhecimento na otimização de tempos de transferência e gestão de cadeias logísticas nacionais e internacionais.
Já a CTT Expresso acrescenta experiência na distribuição B2C, serviços de última milha, capilaridade no território e conhecimento do mercado ibérico.
É essa combinação que as empresas pretendem transformar numa plataforma logística mais forte, capaz de responder às exigências atuais e futuras do comércio eletrónico.
Sinergias podem superar 35 milhões por ano
Os CTT esperam que a operação gere sinergias operacionais e comerciais relevantes em Portugal e Espanha.
Essas sinergias deverão surgir sobretudo em três áreas: instalações e tratamento, rede de transporte e última milha.
Em ritmo normalizado, que deverá ser atingido ao longo dos próximos dois a três anos, o impacto anual no EBIT deverá superar os 35 milhões de euros para as operações combinadas das empresas que constituem a joint venture.
A parceria é apresentada como uma aposta de longo prazo, orientada para maior escala, eficiência e competitividade.
Participações podem subir até 49%
O acordo abre ainda a porta a uma segunda fase.
Depois do fecho das contas de 2027, os CTT terão a opção de adquirir mais 10% da Danzas, empresa ligada à DHL Parcel Iberia, enquanto a DHL poderá comprar mais 10% da CTT Expresso.
Numa fase posterior, e se forem cumpridas determinadas condições de desempenho operacional, as participações minoritárias poderão subir até 49%.
Para isso, o EBIT consolidado da joint venture em 2028, resultante da soma do EBIT da Danzas e da CTT Expresso, terá de ficar acima de 96 milhões de euros.
Se esse objetivo for cumprido, os CTT poderão adquirir uma posição adicional de 14% na Danzas e a DHL poderá reforçar em mais 14% a sua posição na CTT Expresso.
“Um novo capítulo” para os CTT
Guy Pacheco, CEO dos CTT, afirma que a parceria com a DHL marca “um novo capítulo no desenvolvimento do negócio de logística de e-commerce dos CTT na Península Ibérica”.
O responsável considera que o acordo é “um movimento estratégico crucial” para impulsionar o crescimento e reforçar o valor entregue aos clientes num mercado “cada vez mais integrado e global”.
“Ao combinar competências complementares estamos a construir uma plataforma ibérica mais forte, preparada para responder às exigências do e-commerce nos próximos anos”, sublinha Guy Pacheco.
DHL fala em rede mais resiliente e eficiente
Pablo Ciano, CEO da DHL eCommerce, considera que a formalização da aliança representa “um marco relevante” no reforço da conectividade na Península Ibérica.
O responsável afirma que a parceria junta forças complementares da DHL eCommerce e dos CTT para criar “uma rede mais resiliente e eficiente”, com benefícios diretos para os clientes.
Segundo Pablo Ciano, esta colaboração é também um pilar da Estratégia DHL 2030, orientada para acelerar o crescimento sustentável, assegurar elevados níveis de qualidade e ajudar empresas de todas as dimensões a lidar com a complexidade do comércio transfronteiriço.
Um novo peso-pesado da logística ibérica
A conclusão da joint venture entre os CTT e a DHL cria uma plataforma logística com escala para competir de forma mais forte no mercado ibérico de encomendas.
A operação junta capacidade de entrega, redes de última milha, serviços B2B, distribuição B2C, envios internacionais e soluções out-of-home.
Para os CTT, representa uma aposta decisiva na expansão ibérica e no crescimento do negócio expresso.
Para a DHL, reforça a ligação ao mercado português e aprofunda a presença num dos maiores mercados europeus de encomendas.
Num setor marcado pela pressão do comércio eletrónico, pela necessidade de entregas rápidas e pela competição na última milha, a parceria posiciona as duas empresas para disputar uma fatia maior da logística ibérica nos próximos anos.





