Vista Alegre Atlantis pode sair da bolsa de Lisboa. Visabeira vai deixar decisão nas mãos dos acionistas

A Vista Alegre Atlantis poderá abandonar a bolsa portuguesa, alegando que a presença em mercado já não traz vantagens relevantes para a dona das marcas Vista Alegre e Bordallo Pinheiro.

André Manuel Mendes

A Vista Alegre Atlantis poderá abandonar a bolsa portuguesa, alegando que a presença em mercado já não traz vantagens relevantes para a dona das marcas Vista Alegre e Bordallo Pinheiro.

Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa informa que a decisão será votada na Assembleia Geral marcada para 29 de maio e surge numa altura em que a maioria do capital da empresa já está concentrada nas mãos do Grupo Visabeira, que controla cerca de 85% da sociedade. Na prática, restam poucas ações dispersas em bolsa, o que reduz a liquidez e o interesse do mercado.

No comunicado enviado ao mercado, os acionistas justificam a intenção de saída com os custos associados à permanência em bolsa e com o facto de a empresa já não depender do mercado acionista para financiar o crescimento. Nos últimos anos, a Vista Alegre optou por alternativas como emissões obrigacionistas.

O documento lembra ainda a entrada da CR7 SA na Vista Alegre, empresa ligada a Cristiano Ronaldo, que adquiriu 10% da Vista Alegre em 2024, numa parceria destinada a acelerar a expansão internacional das marcas portuguesas.

Se a proposta for aprovada pelos acionistas e validada pela CMVM, a Vista Alegre deixará de negociar em bolsa. Os pequenos acionistas que não concordem com a operação poderão vender as suas ações à Visabeira Indústria, que se comprometeu a comprá-las por um valor que deverá rondar os 1,07 euros por ação.

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A possível saída da Vista Alegre da bolsa representa mais um caso de redução do número de empresas cotadas no mercado português, numa altura em que várias cotadas enfrentam baixos níveis de negociação e uma forte concentração acionista.

O lucro da Vista Alegre aumentou 4% no ano passado, face a 2024, para 4,7 milhões de euros, com os mercados internacionais a assumirem um papel determinante na evolução dos resultados. Ovolume de negócios consolidado atingiu, no ano passado, “os 144,3 milhões de euros, o que representa um crescimento de 5,5% face ao período homólogo, equivalente a um acréscimo de 7,5 milhões de euros”.

Por segmentos, “destaca-se o Grés, que registou um crescimento expressivo de 11,4% das suas vendas, alcançando um volume de negócios de 62,9 milhões de euros”. Também os segmentos Porcelana e Faiança “apresentaram uma evolução positiva, com um aumento de 4,9% e 3,4%, respetivamente”, para 48,3 milhões de euros e 20 milhões de euros, pela mesma ordem. “O segmento do cristal e vidro reduziu as suas vendas em 1,8 milhões de euros essencialmente devido à contração no mercado internacional das bebidas premium”, caindo 12,3% para 13,1 milhões de euros.

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Os mercados internacionais “assumiram um papel determinante na evolução dos resultados, representando 71% do volume de negócios total e registando um crescimento de 8,3% em 2025”, sublinha o grupo.

No período em análise, a Vista Alegre registou um resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) de 27,7 milhões de euros, “representando um crescimento de 1% face ao ano anterior e uma margem EBITDA de 19,2%, o que tendo em conta o impacto negativo proveniente do incremento do custo de gás e eletricidade é um excelente indicador da resiliência do negócio”, enfatiza a Vista Alegre.

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