IA pode resolver crise na saúde? CEO acreditam que sim, mas admitem falhas críticas no setor, revela KPMG

A Inteligência Artificial (IA) está a assumir um papel cada vez mais central na transformação do setor da saúde, mas a maioria das organizações ainda enfrenta limitações estruturais que dificultam a implementação eficaz desta tecnologia.

André Manuel Mendes

A Inteligência Artificial (IA) está a assumir um papel cada vez mais central na transformação do setor da saúde, mas a maioria das organizações ainda enfrenta limitações estruturais que dificultam a implementação eficaz desta tecnologia.

A conclusão é do estudo “CEO Outlook Saúde 2025”, da KPMG, que revela que, apesar do entusiasmo dos líderes do setor, persistem obstáculos relacionados com dados, integração tecnológica e competências técnicas.

Segundo o estudo global, baseado num inquérito a 110 CEO do setor da saúde, 85% dos líderes mostram-se confiantes no crescimento da área nos próximos três anos, um valor superior ao nível de confiança na economia global, que se fixa nos 62%. Ainda assim, mais de metade dos inquiridos (55%) aponta o acesso e integração de dados como um dos principais entraves à adoção da IA, enquanto outras preocupações passam pela capacidade técnica e pela escassez de competências adequadas para integrar esta tecnologia nos processos das instituições de saúde.

Para Filipa Fixe, Director de Advisory da KPMG Portugal, a IA tem potencial para “transformar profundamente o setor da saúde”, mas alerta que “a tecnologia, por si só, não resolve os desafios estruturais”. A responsável defende que o verdadeiro desafio está “na capacidade de execução”, através da integração eficaz de dados, tecnologia e pessoas num modelo operativo coerente.

O estudo mostra também que o investimento em IA está a acelerar. Cerca de 87% das organizações planeiam aplicar mais de 10% do orçamento nesta tecnologia no próximo ano, sendo que 12% admitem investir mais de 20%. Além disso, 83% dos CEOs esperam obter retorno do investimento até três anos, com muitos a anteciparem resultados já no curto prazo.

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Entre as prioridades estratégicas para os próximos anos destacam-se a integração de registos de saúde eletrónicos, a criação de plataformas de dados interoperáveis e o desenvolvimento de hospitais inteligentes. O objetivo passa por aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos cuidados e reforçar uma abordagem centrada no cidadão.

A escassez de profissionais de saúde surge igualmente como um dos fatores que está a acelerar a transformação do setor. Num cenário em que a Organização Mundial da Saúde estima um défice global de 11 milhões de profissionais até 2030, os CEOs admitem que a IA terá impacto direto na reorganização das equipas. O estudo revela que 71% estão focados na retenção e requalificação de talento, 70% planeiam reformular funções para integrar colaboração com IA e 56% admitem contratar novos perfis tecnológicos.

Além da transformação digital, os líderes do setor continuam preocupados com riscos relacionados com cibersegurança, proteção de dados, exigências regulatórias e resiliência das cadeias de abastecimento. No campo ESG, o relatório evidencia um desfasamento entre ambição e execução: apenas 30% das organizações integram plenamente critérios de sustentabilidade nas decisões de investimento e só 12% se mostram muito confiantes no cumprimento das metas de neutralidade carbónica até 2030.

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