Donald Trump voltou a surgir no centro das especulações sobre o Nobel da Paz. A revista ‘Newsweek’ escreve que a casa de apostas britânica William Hill colocou o presidente americano como principal favorito ao prémio de 2026, atribuindo-lhe uma probabilidade de 25%, apesar de o Comité Nobel norueguês não confirmar se o seu nome está entre os 287 candidatos deste ano. A lista oficial de nomeados ao Nobel da Paz é mantida em segredo durante 50 anos.
Segundo a William Hill, Trump está cotado a 3/1 para vencer o prémio, depois de ter sido ultrapassado em 2025 pela opositora venezuelana María Corina Machado. A empresa lembra, no entanto, que a probabilidade atual é inferior à que atribuía no final do ano passado, quando estimava as hipóteses de Trump em 55%.
O Nobel da Paz de 2025 foi atribuído a María Corina Machado pelo seu trabalho na promoção dos direitos democráticos na Venezuela e pela luta por uma transição pacífica da ditadura para a democracia, segundo a própria organização do Nobel. A decisão foi vista como um revés para Trump, que tem defendido repetidamente que os seus esforços diplomáticos justificariam a distinção.
Trump reclama acordos de paz e insiste no mérito
A ‘Newsweek’ recorda que Trump renovou a pressão pelo Nobel da Paz durante o segundo mandato, apresentando-se como responsável por vários acordos destinados a travar conflitos internacionais. Entre os casos citados estão Arménia e Azerbaijão, Índia e Paquistão, Tailândia e Camboja, e Israel e Hamas.
A narrativa da Casa Branca assenta na ideia de que Trump conseguiu desbloquear conflitos onde outros falharam. Ainda assim, a leitura das apostas está longe de ser consensual.
A própria William Hill coloca Trump como favorito, mas outros mercados de previsão mostram um cenário mais dividido. Na Kalshi, por exemplo, as Salas de Resposta de Emergência do Sudão surgem à frente, com cerca de 29%, seguidas pelos Médicos Sem Fronteiras, com 20%. Nessa plataforma, Trump aparece apenas em sexto lugar, com uma probabilidade bastante inferior.
Na Polymarket, segundo os dados citados pela ‘Newsweek’, Trump surge em terceiro lugar, com cerca de 7%, atrás de Yulia Navalnaya, viúva do opositor russo Alexei Navalny, e do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ambos em torno dos 8%. A corrida, nesse mercado, aparece muito mais fragmentada.
287 candidatos ao Nobel da Paz de 2026
O Instituto Nobel norueguês confirmou que há 287 candidatos ao Nobel da Paz de 2026: 208 pessoas e 79 organizações. O vencedor será anunciado a 9 de outubro em Oslo, e a cerimónia de entrega está marcada para 10 de dezembro.
A ‘Reuters’ escreve que Trump estará provavelmente entre os nomeados, depois de líderes do Camboja, de Israel e do Paquistão terem afirmado que o indicaram para o prémio. Ainda assim, não há confirmação oficial possível, precisamente devido às regras de confidencialidade do Comité Nobel.
Esse detalhe é importante: estar bem colocado em casas de apostas não significa estar confirmado como candidato, nem indica que o Comité Nobel esteja inclinado a premiar determinada figura. As apostas refletem perceções de mercado, movimentações políticas e especulação pública, não uma leitura interna do processo de decisão.
Machado ofereceu o prémio? Nobel diz que não pode ser transferido
O caso de María Corina Machado acrescentou ainda mais carga política ao tema. Depois de vencer o Nobel da Paz de 2025, a opositora venezuelana dedicou parte da distinção a Trump pelo apoio à causa democrática na Venezuela. Mais tarde, surgiu a possibilidade de oferecer o prémio ao presidente americano, mas o Instituto Nobel esclareceu que o Nobel da Paz não pode ser revogado, partilhado ou transferido.
Esse episódio manteve Trump associado ao prémio, mesmo depois de não ter sido distinguido em 2025. Agora, a nova cotação da William Hill volta a colocar o presidente americano no centro da corrida mediática para 2026.
Prémio continua longe de estar decidido
Apesar do estatuto de favorito atribuído pela William Hill, a disputa continua aberta. As casas de apostas e os mercados de previsão divergem, e o próprio Comité Nobel não revela nomes, debates internos ou preferências.
O que se sabe é que o Nobel da Paz continua a ter enorme peso político e simbólico. Para Trump, seria uma consagração internacional da narrativa de que a sua política externa produziu acordos de paz. Para os críticos, a simples possibilidade de o presidente americano receber o prémio é controversa e mostra como o Nobel continua a ser também um campo de disputa política global.
A decisão final só será conhecida em outubro. Até lá, Trump pode manter-se “em jogo” nas apostas, mas a escolha caberá exclusivamente ao Comité Nobel norueguês.














