Governo admite teletrabalho na função pública e assume falha: “Não houve avaliação desde a pandemia”

O Governo está a estudar a possibilidade de reforçar o teletrabalho na função pública, numa altura em que a Comissão Europeia recomenda esta prática como medida de poupança energética em contexto de tensões no Médio Oriente.

Revista de Imprensa

O Governo está a estudar a possibilidade de reforçar o teletrabalho na função pública, numa altura em que a Comissão Europeia recomenda esta prática como medida de poupança energética em contexto de tensões no Médio Oriente. O ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, confirmou que ainda não há decisões tomadas, mas garantiu que está em curso uma avaliação aprofundada sobre a viabilidade e impacto desta modalidade laboral.

Em declarações à Antena 1, o governante explicou que o processo está ainda numa fase inicial, sublinhando que “temos, em primeiro lugar, que avaliar a dimensão do teletrabalho na função pública” e reconhecendo que “não foi feita ainda uma avaliação desde a pandemia, portanto é preciso que essa avaliação seja bem feita”. Segundo o ministro, esse trabalho já está a decorrer e será determinante para futuras decisões.

Gonçalo Matias destacou também a necessidade de distinguir diferentes funções dentro da administração pública, referindo que é essencial separar “aquilo que é frontoffice daquilo que é backoffice”, uma vez que nem todas as tarefas são compatíveis com o regime remoto. Apesar das dúvidas ainda em análise, o governante assegura que o Estado dispõe atualmente de uma “grande capacidade tecnológica”, com infraestruturas que permitem responder a eventuais exigências de um modelo mais digital.

A hipótese de avançar com teletrabalho já estava a ser considerada antes mesmo da recomendação europeia, garantiu o ministro, frisando que o Executivo apenas tomará decisões quando tiver “informação segura”. A proposta de Bruxelas surge num contexto de medidas para reduzir o consumo energético, ainda que tenha sido posteriormente suavizada ao nível da obrigatoriedade.

Paralelamente, o ministro revelou que o Governo pretende introduzir ainda este ano o uso de inteligência artificial na contratação pública, com o objetivo de acelerar processos e melhorar a qualidade das decisões. Gonçalo Matias criticou o atual modelo, onde muitas vezes prevalece o critério do preço mais baixo por receio de escrutínio, defendendo que a IA poderá permitir uma avaliação mais equilibrada e eficiente, combinando análise automatizada com validação humana.

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