As tarifas voltaram ao centro da discussão económica global e, em 2026, assumem um papel estratégico com impacto direto na rentabilidade das empresas. De acordo com o relatório PwC 29th Global CEO Survey 2026: Leading through uncertainty in the age of AI, 29% dos CEOs a nível mundial acreditam que as suas margens de lucro irão diminuir nos próximos 12 meses devido ao aumento das tarifas comerciais.
O estudo revela que as tarifas deixaram de ser apenas instrumentos de política comercial para passarem a representar um risco financeiro concreto para as empresas. Além dos 29% que antecipam uma redução nas margens:
- 60% dos CEOs consideram que não haverá alterações significativas, refletindo um cenário de incerteza
- Apenas 6% esperam uma melhoria da rentabilidade
Entre os líderes empresariais que preveem impactos negativos, a maioria aponta para reduções moderadas, geralmente inferiores a 15%. Ainda assim, mesmo quedas ligeiras podem comprometer a capacidade de investimento, inovação e expansão das empresas.
Impacto direto nos custos e na competitividade
No atual contexto económico, as tarifas influenciam diretamente vários pilares da atividade empresarial. Entre os principais impactos destacam-se os custos de importação e exportação, as estruturas de preços, a competitividade internacional e as estratégias de investimento.
Para muitas organizações, sobretudo as que operam à escala global, este cenário obriga a uma revisão dos modelos de negócio. A PwC sublinha que este fenómeno ocorre num ambiente mais amplo, marcado por volatilidade macroeconómica, riscos cibernéticos e tensões geopolíticas.
O aumento das tarifas está associado a uma tendência global de maior proteção dos mercados e reconfiguração das cadeias de abastecimento. Vários governos têm adotado estas medidas para proteger indústrias locais, garantir cadeias estratégicas e responder a pressões orçamentais.
Neste contexto, cerca de 20% dos CEOs consideram que as suas empresas estão altamente expostas a perdas financeiras relacionadas com tarifas. A perceção de risco varia por região, sendo mais elevada em países com forte integração em cadeias globais de valor.
Empresas ajustam estratégia para responder à pressão
Face a este cenário, a PwC recomenda que as empresas não se limitem a reagir, mas utilizem as tarifas como catalisador de transformação estratégica.
Entre as principais respostas empresariais estão a diversificação de mercados e cadeias de abastecimento, a redução da dependência de regiões com políticas comerciais instáveis, a reconfiguração de modelos operacionais e o investimento em inovação. A monitorização contínua das políticas comerciais também surge como fator crítico para antecipar mudanças.
O relatório destaca ainda que os desafios comerciais podem funcionar como motor de inovação. Empresas que conseguem adaptar-se tendem a fazê-lo através do desenvolvimento de novos modelos de negócio, entrada em novos setores, criação de parcerias estratégicas e uso de tecnologia para otimização de custos.
De acordo com o estudo, organizações que apostam na reinvenção são, em regra, mais rentáveis e demonstram maior confiança no crescimento futuro.
Em mercados mais expostos ao comércio internacional, o impacto das tarifas é particularmente relevante. Nestes casos, as empresas enfrentam maior pressão para agir rapidamente e ajustar as suas estratégias, de forma a manter competitividade num ambiente económico cada vez mais complexo e imprevisível.
O relatório da PwC conclui que, em 2026, as tarifas deixaram de ser um tema secundário para se tornarem um dos principais fatores a influenciar a rentabilidade e as decisões estratégicas das empresas a nível global.













