Rubio alerta para “oportunidade histórica” antes de discussões de paz no Líbano

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou hoje que as conversações de paz diretas entre Líbano e Israel representam “uma oportunidade histórica”, ao receber os embaixadores dos dois países em Washington para iniciarem o diálogo.

Executive Digest com Lusa

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou hoje que as conversações de paz diretas entre Líbano e Israel representam “uma oportunidade histórica”, ao receber os embaixadores dos dois países em Washington para iniciarem o diálogo.

O diplomata israelita Yechiel Leiter e a libanesa Nada Hamadeh Moawad discutem hoje no Departamento de Estado, na capital norte-americana, uma proposta de cessar-fogo, após um mês e meio da ofensiva israelita contra o grupo xiita Hezbollah, num encontro que conta também com a presença do embaixador dos Estados Unidos em Beirute, Michel Issa.

No início da reunião, Marco Rubio afirmou que em causa está não só uma trégua, mas também “uma solução permanente para 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah” na região, da qual, sustentou, tanto israelitas como libaneses foram vítimas.

“Todas as complexidades desta questão não serão resolvidas nas próximas seis horas, mas podemos começar a avançar e criar a estrutura necessária para que algo aconteça, algo muito positivo”, acrescentou o chefe da diplomacia de Washington.

Antes das primeiras negociações em mais de 30 anos entre os dois países, que não têm relações diplomáticas, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, exigiu na segunda-feira o cancelamento do encontro, defendendo que este diálogo constitui uma capitulação.

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“Recusamos negociações com a entidade israelita. Esta negociação é submissão e capitulação”, declarou o secretário-geral do Hezbollah, que, apesar de ser o único interveniente armado do lado libanês, não foi convidado para as negociações em Washington, ao mesmo tempo que avisou que o seu movimento vai resistir “até ao último suspiro”.

O grupo xiita retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024, nunca verdadeiramente respeitado.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do Hezbollah, que, apesar disso, não parou os seus lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita.

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Em resposta, Israel desencadeou uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no conflito anterior.

Segundo as autoridades de Beirute, pelo menos 2.089 pessoas morreram, entre as quais 166 crianças, e 6.762 ficaram feridas no Líbano desde o início da campanha militar de Israel, registando ainda acima de um milhão de deslocados.

O Presidente libanês, Josef Aoun, afirmou hoje que espera que as negociações marquem “o início do fim do sofrimento do povo libanês”, após o seu país ter sido arrastado para o conflito.

“A estabilidade não será restaurada no sul do Líbano se Israel continuar a ocupar território”, advertiu.

Em alternativa, propõe que, “o exército libanês se reposicione nas fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional” e seja “o único responsável pela segurança da área e dos seus habitantes, sem qualquer parceria com ninguém.”

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No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, insistiu na segunda-feira que Israel vai dar continuidade ao plano de criar uma “zona de segurança sólida e mais profunda” no sul do Líbano, onde assinalou que “os combates continuam”, apesar da reunião em Washington.

“Estamos a falar de uma zona de segurança sólida e mais profunda que previna o perigo de invasão e neutralize a ameaça dos mísseis antitanque”, acrescentou.

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