Fraca comunicação com fisco angolano é principal queixa de grandes contribuintes

Grandes contribuintes angolanos apontaram hoje as dificuldades na comunicação como principal desafio na relação com a Administração Geral Tributária (AGT), além da garantia de uma maior estabilidade fiscal.

Executive Digest com Lusa

Grandes contribuintes angolanos apontaram hoje as dificuldades na comunicação como principal desafio na relação com a Administração Geral Tributária (AGT), além da garantia de uma maior estabilidade fiscal.


A AGT realizou hoje o primeiro encontro setorial com os grandes contribuintes, que passou das 302 para 633 empresas, garantindo 90% do volume da receita fiscal, destacou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro do Ministério das Finanças, Ottoniel dos Santos.


“É um peso extremamente alto e que para nós precisa de ser olhado com a devida atenção”, disse Ottoniel dos Santos na abertura do encontro.   


Em declarações à imprensa, o diretor Financeiro da Sonangol Exploração e Produção, Nuno Pombo, elogiou a iniciativa para manter o diálogo constante entre a AGT e os grandes contribuintes, um fórum para trocas de informação.


Nuno Pombo salientou que este tipo de encontros é a oportunidades para os grandes contribuintes comunicarem as suas grandes preocupações, entre as quais “garantir uma comunicação constante entre as partes e garantir a estabilidade fiscal”.

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Por sua vez, o contabilista Álvaro Bengui, operador do setor mineiro, considerou extremamente importantes este tipo de encontros, para a aproximação dos contribuintes com o fisco, sobretudo pelo facto de terem sido realizadas nos últimos tempos inúmeras alterações fiscais, nomeadamente o código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e o Imposto sobre o Rendimento de Trabalho (IRT).


Álvaro Bengui frisou que os temas da AGT têm um grande nível de tecnicidade e tem-se verificado uma falta de preparação dos operadores do fisco angolano.


“Verificamos que quem nos atende do outro lado tem algum desconhecimento da lei e da operacionalização da lei. E com isto a atividade dos contribuintes acaba sempre por ser penalizada, por questões muito simples, que com um encontro pedagógico com quem toma a decisão final seria facilmente ultrapassado”, realçou.

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Uma das grandes questões, acrescentou Álvaro Bengui, tem a ver com a suspensão do Número de Identificação Fiscal (NIF), que a AGT tem efetuado por incumprimento das obrigações fiscais.


“Faço parte de um setor muito sensível, o diamantífero, e muitas vezes já nos vimos impossibilitados de fazer exportação de diamantes para o exterior do país por questões que facilmente poderiam ser controladas se tivéssemos o fisco muito mais próximos dos contribuintes”, disse o contabilista, lamentando os transtornos causados às empresas, sobretudo de reputação.


“Quando fazemos negócio com o estrangeiro, muitas vezes o dinheiro é pago antecipadamente e não conseguimos entregar a mercadoria subjacente a esse pagamento por força de algum incumprimento inexistente do contribuinte e quem está do outro lado não toma a decisão com celeridade, [o que] vai causando em grande medida prejuízo para o contribuinte”, explicou.


Já o administrador da Prometim, ligada ao setor petrolífero, Rui Dantas, considerou muito importante o encontro, que apresentou soluções para melhorar o inter-relacionamento entre os grandes contribuintes e a AGT, tendo registado como “muito positivo” a recomendação de um contacto prévio antes de qualquer tipo de notificação, para o esclarecimento de dúvidas.


“Acho que esta decisão de melhorar a comunicação com os contribuintes, de uma forma prévia, é um passo espetacular para a todas as partes, é um ‘win-win’”, salientou.

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A comunicação deficitária, exemplificou Rui Dantas, dificultou a importação de materiais para reparação urgente em equipamento, “porque havia um bloqueio fiscal que não tinha fundamento”.


“Apresentamos uma garantia bancária e chegamos ao fim e não havia razão para o bloqueio, explicámos a ‘posteriori’, a verdade é que nos bloquearam [a conta bancária] e impediram-nos de fazer importações urgentes para resolverem o problema”, disse Rui Dantas, lamentando igualmente a imagem para a empresa de não poder responder ao cliente.


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